Autor de passaporte da vacina não crê em conflito com Bolsonaro

Comprovante de imunização é criticado por Bolsonaro, mas defendido por parlamentares do PL, novo partido do presidente 


O presidente Jair Bolsonaro (PL) é contra o passaporte da vacina

O presidente Jair Bolsonaro (PL) é contra o passaporte da vacina

MARCELO CAMARGO / AGÊNCIA BRASIL

passaporte da vacina, documento que comprova a imunização contra a Covid-19, não deve causar desgaste à relação do PL (Partido Liberal) com Jair Bolsonaro, recém-filiado à legenda, apesar da discordância entre o presidente — que é contra a medida — e alguns integrantes da sigla.

A avaliação foi feita por diversos membros da legenda ouvidos pela reportagem. "O PL é plural, portanto, é natural que, dentro do partido, tenha divergências. Inclusive, todos os membros estão acostumados a construir com as divergências e entender as diferenças que existem", afirmou o senador Carlos Portinho (RJ).

O parlamentar é autor do projeto de lei, já aprovado no Senado e que aguarda análise desde agosto pela Câmara dos Deputados, que cria o passaporte nacional de imunização e segurança sanitária, trazendo informações sobre vacinação, testagem e recuperação da doença de seu portador, que poderão subsidiar a suspensão ou o abrandamento de medidas restritivas para enfrentamento de situação de emergência de saúde pública.

A matéria foi aprovada pelos senadores em 10 de agosto. "A aprovação ocorreu na semana em que a Europa aprovou o seu certificado. O texto antecedeu debates e posicionamentos de diversos setores, como o turismo e a cultura, aqui no país. Uma das características do projeto é justamente a de ser temporário, em ser usado em pandemias", relatou Portinho.


A aprovação da matéria se deu antes da filiação de Bolsonaro ao partido, em 30 de novembro. O chefe do Executivo informou diversas vezes ser contra a medida, adotada em ao menos 20 capitais brasileiras. Recentemente, disse que "jamais" exigiria o documento e o comparou a uma "coleira que querem botar no povo brasileiro.".

Portinho, que diz não se sentir constrangido com o fato de ter posição divergente da de Bolsonaro, usou as redes sociais para solicitar a análise e aprovação da matéria pela Casa comandada por Arthur Lira (PP-AL) — a postagem foi republicada pelo PL e, na visão do senador, valida a interpretação do presidente do partido, Valdemar Costa Neto. "A própria republicação demonstra isso."


O tema, contudo, não deve gerar desgaste no recente "casamento" entre o Bolsonaro e o PL, o nono partido do presidente. "Não acho que é para tanto, até porque são apenas opiniões diferentes. Não imagino que deva causar estresse numa questão político-partidária", disse um membro da legenda do Nordeste.


Outro filiado do partido, parlamentar da região Sudeste, avalia que o passaporte da vacina é uma medida que carece de discussão, mas defende a ideia de que o tema é relativo à liberdade individual. "Estão nos aprisionando cada vez mais com isso, e não é por aí. É uma questão pessoal", argumentou.


O deputado federal Fábio Abreu (PI) é favorável à medida. "Foram as vacinas que reduziram as mortes por Covid-19 no mundo. Nós temos que ter pessoas vacinadas em quantidades cada vez maiores", afirmou, acrescentando que é "lamentável" que a autoridade máxima do país ainda continue contra a ciência.


Em sua opinião, porém, a medida pode, sim, gerar atrito entre Bolsonaro e alguns membros da sigla. "Cada dia que passa ele [presidente] traz os apoiadores dele para o partido, e esses obviamente são a favor de tudo o que ele diz e faz", disse.

O projeto que cria o passaporte nacional de imunização e segurança sanitária aguarda análise por parte dos deputados federais. No mesmo mês em que o texto chegou à Câmara dos Deputados, Felipe Carreras (PSB-PE) requereu urgência para sua votação. O requerimento teve apoio de diversos partidos, como PDT, MDB, Podemos, Cidadania, PT, Patriota, Avante, PSDB, PSD, PCdoB, PSOL e PP, mas isso não foi o suficiente.

Em outubro, a matéria do passaporte da vacina foi apensa a outra, de autoria de Junio Amaral (PSL-MG), que dispõe sobre a aplicação de penalidade de multa a quem tratar de forma desigual pessoas vacinadas e não vacinadas, assim como discriminar pessoas não vacinadas, entre outras providências. O projeto segue a linha adotada pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que disse na última quinta-feira (9) que não deve haver discriminação entre os imunizados e os não imunizados.

Autor de passaporte da vacina não crê em conflito com Bolsonaro Autor de passaporte da vacina não crê em conflito com Bolsonaro Reviewed by Jotta Júnior on dezembro 13, 2021 Rating: 5
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