O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) rebateu neste sábado declarações do presidente do seu partido, o ex-deputado Valdemar Costa Neto, de que propostas de golpe e intervenção no Tribunal Superior Eleitoral circularam no entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro: "Se ele recebeu eu não recebi".

Em entrevista exclusiva ao GLOBO, Valdemar disse que havia minutas golpistas como a encontrada na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres “na casa de todo mundo". Segundo Valdemar, porém, todas foram descartadas.

— Não vi nenhuma minuta golpista circulando — afirmou Flávio. — Se ele (Valdemar) recebeu, eu não recebi. Eu ouvia de gente da rua que todo mundo queria que houvesse alguma coisa porque estavam insatisfeitas com a destruição da democracia que estava acontecendo.

O documento, apreendido pela Polícia Federal durante buscas na casa de Torres, propunha a decretação de estado de defesa no TSE. Na prática, a medida poderia impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

— Sobre essa (minuta) que foi encontrada na casa do (ex-) ministro, nunca vi, nunca li, nunca tive acesso a isso. Agora, as pessoas falam o que quer. O mais importante é que o fato concreto bota essa suposta minuta de alguma coisa totalmente no lixo.

Flávio participou neste sábado de evento em que o PP e o Republicanos oficializaram o apoio à candidatura do ex-ministro Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado.

Questionado sobra as manifestações golpistas de 8 de janeiro, em que apoiadores do ex-presidente invadiram e depredaram as sedes dos três Poderes, Flávio qualificou os atos como "criminosos", mas disse não considerar uma tentativa de golpe.

— Eu acho criminosos. De pessoas que estavam ali de uma forma inconsequente, descontrolada. E que tem que ser responsabilizada pelo o que fizeram. Mas daí a falar que quer tomar o poder, ato de terrorismo…eu nunca vi essa qualificação quando o MST depredava invadia fazenda, destruir plantações, ou quando as pessoas invadiam ministério, tacavam fogo em ministério.

O senador defendeu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado para investigar os atos. A intenção da oposição a Lula é usar o colegiado para envolver o governo federal nas apurações.