Avaliação de ministros palacianos é que as menções a Campos Neto deram visibilidade excessiva ao presidente do Banco Central.
Ministros do Palácio do Planalto aconselharam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a evitar novas críticas diretas ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e baixar o tom ao tratar da política monetária.
Segundo interlocutores do Planalto, a sugestão dos ministros foi de que Lula não deve personificar a discussão da taxa de juros na figura do presidente do BC e, sim, discutir "a tese" de forma mais geral e abrangente, quando voltar ao assunto.
Os três aos poucos vão se consolidando como os principais conselheiros de Lula em decisões que envolvem negociações políticas. O presidente tem tido reuniões com o trio quase todos os dias.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sempre foi muito próximo de Lula, mas costuma dar aconselhamentos de ordem mais técnica e menos política.
Na avaliação dos ministros palacianos, as críticas a Campos Neto acabaram dando muita visibilidade ao presidente do BC.
O arranjo agora é para que o PT, enquanto instituição, e parlamentares do partido façam as críticas mais incisivas ao BC. "O PT é o novo José Alencar do Lula", definiu uma fonte palaciana.
Nos primeiros mandatos de Lula, cabia principalmente ao vice-presidente, José Alencar, um industrial, as críticas aos juros altos.
Deputados petistas ouvidos pelo blog avaliam que as últimas declarações de Campos Neto sobre Lula e Haddad até podem ser vistas como um bom sinal, mas ainda são insuficientes porque não houve aceno de que ele defenderá a redução de juros nos próximos meses.
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