Delgatti Neto ficou conhecido como o hacker da "Vaza Jato", em 2019, quando invadiu celular de Moro e vazou mensagens.

Por Filipe Matoso, Luiz Felipe Barbiéri, Pedro Alves Neto e Gustavo Garcia, g1

Em bate-boca na CPI, Hacker diz que Moro é 'criminoso contumaz' e é chamado de 'bandido' pelo senador

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O hacker Walter Delgatti Neto e o senador Sergio Moro (União-PR) bateram boca na sessão desta quinta-feira (17) da CPI dos Atos Golpistas. O hacker, que prestava depoimento, chamou Moro de "criminoso contumaz" e, em resposta, foi chamado pelo ex-juiz de "bandido".

Delgatti Neto ficou conhecido como o hacker da "Vaza Jato", em 2019, quando invadiu dispositivos eletrônicos e vazou mensagens atribuídas ao então ministro da Justiça e ex-juiz Sergio Moro, a integrantes da força-tarefa da Lava Jato e outras autoridades.

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Na sessão desta quinta, o clima entre os dois foi de embate. Moro citou condenação de Delgatti pelo crime de estelionato, relacionado a golpes que teriam sido cometidos em Araraquara (SP), e perguntou ao hacker quantas vítimas ele teria prejudicado. Delgatti respondeu:

"Relembrando que eu fui vítima de uma perseguição em Araraquara, inclusive, equiparada à perseguição que vossa excelência fez com o presidente Lula e integrantes do PT".

Na sequência, Delgatti disse que leu conversas do ex-juiz da Lava Jato em aplicativos de mensagem. "Li a parte privada e posso dizer que o senhor é um criminoso contumaz, cometeu diversas irregularidades e crimes".

Senador Sérgio Moro e hacker Walter Delgatti Neto batem boca na CPI dos Atos Golpistas — Foto: TV Senado/Reprodução

Moro, então, pediu ao vice-presidente da CPI, senador Cid Gomes (PDT-CE), que exercia a presidência da comissão, que advertisse Delgatti, dizendo que o depoente não podia caluniar um senador na CPI.

"Bandido aqui, desculpe senhor Walter, que foi preso é o senhor. O senhor foi condenado. O senhor é inocente como o presidente Lula, então?", indagou o senador.

"O senhor não foi preso porque recorreu à prerrogativa de foro por função", retrucou o hacker.

O senador Cid Gomes (PDT-CE), que presidia a sessão, pediu que Moro e o depoente se respeitassem, e a reunião prosseguiu.

Novo embate

Posteriormente, Sergio Moro mencionou que Walter Delgatti teria invadido os aplicativos de mensagens de mais de 170 pessoas. Delgatti confirmou e disse, inclusive, que teria invadido um número maior de dispositivos.

"Inclusive, cheguei às conversas do senhor com o então procurador Dallagnol e essas conversas foram chanceladas pelo STF e são utilizadas até hoje para anular condenações de pessoas inocentes", afirmou Delgatti.

"Pessoas que cometeram crime contra a Petrobras e roubaram dinheiro, é isso...", respondeu Moro.

"Eu fico com a versão do STF", afirmou o hacker.

Mais uma vez, Cid Gomes interrompeu e pediu que Moro e Delgatti se limitassem a tratar dos temas investigados pela CPI e não de questões passadas.

Quem é Walter Delgatti?

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Pela invasão aos celulares de Moro e outros integrantes da Lava Jato, Walter Delgatti Neto foi alvo da Polícia Federal na Operação Spoofing e preso.

Recentemente, o "hacker de Araraquara" voltou à mira da Polícia Federal pela invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para a inclusão de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No ofício, havia inclusive a frase "faz o L" — um dos slogans da campanha eleitoral mais recente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). À época, Walter Delgatti Neto disse que o falso documento foi redigido pela deputada Carla Zambelli.

Em 2020, Walter Delgatti Neto foi posto em liberdade, com a adoção de medidas cautelares. Entre os requisitos para o relaxamento da prisão, estavam o uso de tornozeleira eletrônica e a restrição ao uso de internet.

Nos últimos meses, voltou a ser preso e solto. Primeiro, em junho, ele foi detido pelo descumprimento das medidas cautelares. Isso porque, à época, Delgatti afirmava estar cuidando do site e das redes sociais de Zambelli. Em julho, foi solto e voltou a usar tornozeleira.

No último dia 2, voltou a ser preso na operação da PF que investiga o plano para invadir sistemas do Judiciário.