Sem energia por conta de bloqueio, hospitais vão virar necrotérios, diz Crescente Vermelho; ministro israelense diz que território ficará sem energia, água e comida até a libertação dos cerca de 150 reféns levados pelo Hamas após o ataque terrorista de sábado.

Por g1

Muitos edifícios em Gaza foram danificados ou destruídos desde que as tensões aumentaram esta semana — Foto: REUTERS
1 de 4 Muitos edifícios em Gaza foram danificados ou destruídos desde que as tensões aumentaram esta semana — Foto: REUTERS

Muitos edifícios em Gaza foram danificados ou destruídos desde que as tensões aumentaram esta semana — Foto: REUTERS

A Organização das Nações Unidas (ONU) disse nesta quinta-feira (12) que ao menos 340 mil habitantes de Gaza tiveram que deixar as suas casas nos últimos dias, por causa de bombardeios lançados por Israel, após o ataque do Hamas no último sábado (7).

Um balanço divulgado nesta manhã pelo governo palestino indica que 1.417 pessoas morreram em Gaza desde o início dos ataques de Israel. Entre elas estão 447 crianças e 248 mulheres.

Em Israel, o número de mortos durante o ataque do grupo terrorista Hamas chega a 1.300. Entre as vítimas também há mulheres e menores de idade. Nesta semana, inclusive, um oficial do exército de israelense afirmou que até bebês foram mortos em kibutz atacado pelo Hamas.

Em Gaza, os palestinos estão sem água, alimentos e eletricidade, após um "cerco completo" à Faixa de Gaza declarado pelo Ministro da Defesa israelita, Yoav Gallant, nesta semana.

Na terça-feira (10), o Alto Comissário da ONU Volker Türk chegou a afirmar que o cerco é proibido pelo direito humanitário. Em Gaza, hoje, vivem em torno de 2,3 milhões de pessoas. A região tem mais quatro a cinco dias restantes de abastecimento de combustível, segundo a organização internacional.

“Sem eletricidade, os hospitais correm o risco de se transformarem em necrotérios”, afirmou o diretor regional do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Fabrizio Carboni, nesta quinta-feira (12).

“A miséria humana causada por esta escalada é abominável e imploro às partes que reduzam o sofrimento dos civis", acrescentou.

A situação humanitária em Gaza é “terrível”, acrescentou nesta quinta-feira (12), o vice-chefe de emergências do Programa Alimentar Mundial da ONU (PMA), Brian Lander.

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'Não haverá exceções humanitárias'

Crianças palestinas são atendidas em hospital de Gaza, que está sob bombardeio de Israel — Foto: Ali Mahmoud/AP

Na contramão do pedido feito pela Cruz Vermelha, Israel disse que "não haverá exceções humanitárias" ao cerco à Faixa de Gaza até que todos os seus reféns sejam libertados.

Acredita-se que 150 pessoas foram levadas para a região de Gaza pelos terroristas do Hamas.

"Ajuda humanitária a Gaza? [...] Nenhum hidrante será aberto e nenhum caminhão de combustível entrará até que os reféns israelenses retornem para casa", postou o ministro da Energia de israelense, Israel Katz no Twitter.

"Isto é diferente, não tem precedentes, as regras mudaram", disse o reservista israelense Yonatan Steiner, de 24 anos, que voltou de Nova York, onde trabalha para uma empresa de tecnologia.

'Só com a roupa do corpo'

Quase 220 mil dos desabrigados em Gaza foram alocados em 92 escolas administradas pela ONU, informou a agência de notícias Reuters.

Uma delas foi transformada em abrigo, Hanan Al-Attar, 14 anos, disse que sua família chegou a sair correndo de casa somente com as roupas do corpo, quando bombas caíram nas proximidades. O tio dela chegou a voltar para casa para buscar algumas roupas, mas foi morto quando a residência foi atingida.

“Eles estão bombardeando, por cima, as casas de civis, mulheres e crianças”, disse o seu avô.

Família Samour

Funeral de palestinos da família Samour, mortos em ataques israelenses contra sua casa, em Khan Younis. — Foto: Reuters/Ibraheem Abu Mustafa

Na noite de quarta-feira (11), mais de 8 membros de uma mesma família – conhecida como família Samour – foram mortos após um bombardeio em uma residência, em Khan Younis.

Parentes e amigos correram para o necrotério para recolher os 8 corpos já recuperados pelas equipes de resgate, acreditando-se que mais 10 ainda estejam sob os escombros da casa da família.

Seus corpos foram levados em um caminhão coberto com cobertores floridos do hospital para um terreno baldio na mesma rua dos escombros do prédio, e depois alinhados em mortalhas brancas – uma delas manchada de sangue, enquanto centenas de homens se rezavam nas proximidades.

Os coveiros retiraram terra de uma longa trincheira, marcando sepulturas individuais com blocos de concreto. Um homem segurava a cabeça com uma das mãos enquanto acariciava um corpo envolto com a outra antes de ser colocado na sepultura e uma mulher chorava.

“Estes são os nossos parentes e sogros”, disse Abdelaziz al-Fahem. "Esta é uma família civil que as forças israelenses bombardearam. É um verdadeiro massacre", acrescentou.

Funeral of Palestinians from Samour family, who were killed in Israeli strikes on their house, in Khan Younis — Foto: REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa

Explosões a noite toda

Explosões ecoaram por Gaza durante a toda noite. Bolas de fogo de ataques aéreos pulsavam em vermelho na escuridão acima das cidades e campos de refugiados sem eletricidade para iluminar as ruas.

Do ar, imagens de drones da destruição mostraram buracos entre edifícios de concreto compactados, com tábuas de madeira e barras de metal retorcidas enfiadas nos restos das casas bombardeadas enquanto os moradores as vasculhavam.

Ainda em Khan Younis, um grupo de pessoas ficou em cima dos destroços que restaram da destruição de uma casa por um ataque aéreo. Um colchão, almofadas e lençóis claros estavam sujos de fuligem e poeira em meio aos escombros, aparecendo entre os blocos de concreto.

O corpo de uma mulher foi erguido em um lençol branco e carregado em uma maca por uma multidão de homens e meninos. Uma senhora idosa toda vestida de preto cambaleou por um beco e de repente desmaiou, chorando de tristeza.

Em outro local bombardeado, seis homens correram por uma rua carregando uma maca com o corpo de um homem coberto de poeira, com os membros torcidos. Uma mulher viu quem estava lá e começou a gritar.

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