Segundo a Secretaria de Segurança Pública, policiais conseguiram recuperar cinco metralhadoras .50 e outras quatro de calibre 7,62. Operação teve troca de tiros com criminosos, que conseguiram fugir.

Por Wesley Bischoff, Kleber Tomaz, Leonardo Rinaldi, Johan Carlos, Lucas Jozino, g1 SP e TV Globo — São Paulo

Metralhadoras roubadas do Exército foram achadas em SP

Metralhadoras roubadas do Exército foram achadas em SP

Nove das 21 metralhadoras que foram furtadas por militares, em setembro, de um quartel do Exército em Barueri, Grande São Paulo, foram encontradas na madrugada deste sábado (21) pela Polícia Civil escondidas num lamaçal numa área de mata em São Roque, interior paulista.

Mais oito armas já tinham sido localizadas na última quinta-feira (19) pela Polícia Civil no Rio de Janeiro. Das 17 metralhadoras recuperadas, outras quatro continuam desaparecidas e são procuradas pelas autoridades.

O furto de 13 metralhadoras calibre .50 e de oito metralhadoras calibre 7,62 do Arsenal de Guerra São Paulo (AGSP), em Barueri, só foi verificado pelo Exército no último dia 10 de outubro. Desde então, o órgão passou a investigar internamente o desaparecimento delas.

Nove armas foram encontradas na lama em São Roque, interior paulista, segundo a polícia — Foto: Divulgação/Polícia Civil

As informações foram divulgadas pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite.

Armas foram encontradas pela Polícia Civil na Grande São Paulo — Foto: Johan Carlos/TV Globo

O furto das armas foi descoberto no último dia 10 de outubro. De acordo com o Exército, os militares notaram, durante inspeção, o sumiço de 13 metralhadoras calibre .50 e de outras 8 metralhadoras de calibre 7,62. As metralhadoras .50 são conhecidas por terem poder de fogo e alcance para derrubar até aeronaves.

Na última quinta-feira (19), 8 metralhadoras foram localizadas na entrada da Gardênia Azul, na Zona Oeste do Rio. Até a última atualização da reportagem, ao todo foram encontradas 17 metralhadoras. Ainda são procuradas 4 armas de .50.

De acordo com Guilherme Derrite, a polícia conseguiu apurar que o armamento seria entregue para criminosos entre esta sexta-feira (20) e sábado (21), em São Roque, cidade do interior de São Paulo. Equipes foram até o local indicado e, segundo o secretário, houve troca de tiros. Ninguém foi preso.

"São cinco armas .50, e quatro calibre 7,62. Somadas com as que foram encontradas no Rio de Janeiro, pelas nossas contas, faltam quatro .50 a serem encontradas. As investigações continuam", disse Derrite.

As armas foram recolhidas pela polícia e levadas até a delegacia de Carapicuíba. Uma equipe do Exército checou o material e confirmou que o armamento faz parte do arsenal furtado em Barueri.

Nove armas furtadas do Exército são encontradas na Grande SP — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Em nota, o Comando Militar do Sudeste confirmou que "na madrugada do dia 21 de outubro foram recuperadas mais 9 (nove) metralhadoras, sendo 5 (cinco) calibre .50 e 4 (quatro) calibre 7,62 (totalizando 17 armamentos)".

O Exército ressaltou que a localização do armamento foi "fruto de uma ação integrada do Exército Brasileiro com a Polícia Civil do Estado de São Paulo".

"Todos os esforços estão sendo envidados para a recuperação total dos armamentos subtraídos", finaliza a nota.

Em entrevista à TV Globo, o general Maurício General de Brigada Maurício Vieira Gama, chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Sudeste, disse que as metralhadoras voltarão para o Exército após perícia da polícia.

O general ainda afirmou que não será feito um esquema especial para proteção das armas, já que sistema do quartel já permite.

Armas furtadas do Exército foram recuperadas na Grande São Paulo — Foto: SSP-SP/Divulgação

Investigação

O Exército investiga se pelo menos três militares do quartel de Barueri, na Grande São Paulo, participaram do furto das 21 metralhadoras de guerra a pedido de facções e se o crime foi cometido a partir do feriado de 7 de setembro e se continou nos dias seguintes.

As informações acima foram confirmadas pela TV Globo e g1 com fontes ligadas à investigação e também parentes dos militares que continuam impedidos de sair do Arsenal de Guerra depois que o desaparecimento delas foi confirmado.