Carros de fiscais do ICMBio e Força Nacional foram queimados no Amazonas — Foto: PF
1 de 5 Carros de fiscais do ICMBio e Força Nacional foram queimados no Amazonas — Foto: PF

Carros de fiscais do ICMBio e Força Nacional foram queimados no Amazonas — Foto: PF

Uma operação da Polícia Federal mirou um grupo criminoso suspeito de atacar e queimar carros de fiscais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Força Nacional, no Amazonas, em setembro deste ano. O órgão apreendeu três armas de fogo, munições e motosserras.

O balanço da operação, realizada na terça-feira (17), foi divulgado nesta quarta-feira (18).

Operação KM 180 em Santo Antônio do Matupi, em Manicoré, no Amazonas — Foto: PF
2 de 5 Operação KM 180 em Santo Antônio do Matupi, em Manicoré, no Amazonas — Foto: PF

Operação KM 180 em Santo Antônio do Matupi, em Manicoré, no Amazonas — Foto: PF

Os alvos da "Operação KM 180" são investigados pela prática de crimes ambientais, crimes contra o patrimônio da administração pública e obstar/dificultar a ação de fiscalização do poder público.

"As medidas cautelares de busca e apreensão visam obter elementos que comprovem a prática dos crimes investigados, além de aprofundar a investigação sobre o destino da madeira. Somadas, as penas dos crimes de dano qualificado e associação criminosa podem ultrapassar 13 anos de reclusão", destacou a PF.

De acordo com a instituição, a operação mobiliza 16 policiais federais, que cumprem quatro mandados de busca e apreensão no distrito de Santo Antônio do Matupi, localizado no município de Manicoré, localizado na Rodovia Transamazônica. "Atualmente, a devastação na Unidade de Conservação Federal na região ultrapassa 700 hectares", informou a Polícia Federal.

A PF não divulgou os nomes dos investigados. Também não há registro de presos durante a operação.

Operação KM 180 em Santo Antônio do Matupi, em Manicoré, no Amazonas — Foto: PF

Ataque

O ataque criminoso ocorreu no dia 28 de setembro deste ano, no Sul do Amazonas, região de conflito entre madeireiros e fiscais ambientais.

Na ocasião, fiscais do ICBMBio e policiais da Força Nacional foram atacados e tiveram os carros queimados. Testemunhas contaram que os agentes atuavam em uma fiscalização contra o desmatamento na Floresta Nacional de Aripuanã, próximo distrito de Santo Antônio do Matupi, no Sul do Amazonas.

Em nota, o ICMBio afirmou que a fiscalização teve o objetivo de verificar desmatamento apontado pelo sistema DETER - um alerta de fiscalização e controle de degradação florestal - de 762 hectares dentro da Floresta Nacional.

No local, foram encontrados 550m³ de madeira ilegal em tora, além de armas, equipamentos e veículos usados no desmatamento ilegal. Todos os equipamentos foram apreendidos ou destruídos. Além disso, quatro infratores foram identificados e multados em R$ 7,6 milhões.

Caminhonetes do ICMBio foram incendiadas, no Amazonas. — Foto: Divulgação

Segundo informações de testemunhas à Rede Amazônica, em represália à fiscalização, os fiscais do ICMBio sofreram uma emboscada. Homens derrubaram árvores, cercaram as viaturas dos fiscais e atearam fogo.

Em áudios, a que a Rede Amazônica teve acesso, homens incentivam o ataque. "Agora é hora. Vamos cercar eles na rua. Aceleraram para rumo daí. Bora queimar, bora queimar!", diz um deles.

Os homens interditaram, ainda, a BR-230, conhecida como Rodovia Transamazônica. Os fiscais foram resgatados pela Polícia Militar do Amazonas (PMAM).

Os homens interditaram, ainda, a BR-230, conhecida como Rodovia Transamazônica. — Foto: Divulgação

"As ações na região serão intensificadas, e os responsáveis pelo ataque, identificados e punidos de acordo com a lei", afirmou o ICMBio.

Região de conflitos

Santo Antônio do Matupi, distrito de Manicoré, é conhecido como uma região de conflitos motivados por disputas territoriais e desmatamento.

Em 2011, um produtor rural do distrito foi executado após articular uma reunião para tentar solucionar os problemas fundiários da área. Na época, Santo Antônio do Matupi estava sendo alvo de uma grande operação de forças de segurança federal.

Dois anos depois, em 2013, três homens foram mortos na região. Seis indígenas, suspeitos do crime foram denunciados por homicídio qualificado. Segundo o Ministério Público do Amazonas (MPAM), as vítimas foram mortas como vingança pela morte de um cacique.