A partir dessas imagens e de conversas com especialistas, o Fantástico explica o que se pode esperar dos próximos dias no Oriente Médio.

Por Fantástico

Guerra em Gaza: especialistas apontam desafios de Israel no combate por terra contra o Hamas

Guerra em Gaza: especialistas apontam desafios de Israel no combate por terra contra o Hamas

Vídeos divulgados pelo Hamas ajudam a reconstituir o ataque terrorista que desencadeou a guerra. A ação foi planejada durante muito tempo e contou, inclusive, com armas improvisadas, mais difíceis de serem rastreadas pela defesa de Israel.

As evidências recolhidas até agora mostram que, mesmo parecendo um grupo desorganizado de terroristas avançando em motos e carrocerias de caminhonete, os detalhes foram bem planejados - com cada terrorista com locais e alvos definidos a atacar.

O jornal "The New York Times" teve acesso ao vídeo gravado pela câmera na cabeça do comandante da invasão a um quartel, que depois foi morto. Ele mostra que os terroristas carregavam mapas marcando por cor o que eles encontrariam dentro das instalações.

Vídeo mostra que os terroristas carregavam mapas marcando por cor o que eles encontrariam dentro das instalações — Foto: Fantástico

O Hamas atingiu alvos em toda a extensão do muro de 51 quilômetros que separa a Faixa de Gaza de Israel; abriu buracos em quatro pontos. Estima-se que pelo menos 2 mil terroristas invadiram o território israelense, em duas ondas.

A primeira atingiu as bases militares e os postos de segurança e na segunda, 1.800 terroristas entraram atirando em todos que encontraram pela frente nas estradas, nas áreas residenciais e também no local do festival de música, onde massacraram pelo menos 260 pessoas - três delas, brasileiras. Segundo o plano, eles deviam matar o maior número de israelenses e levar muitos reféns.

"Levar reféns para a faixa de Gaza e esperar uma reação muito forte de Israel faz parte de uma estratégia. Por quê? Porque o Hamas sabe que o mundo inteiro observa Israel nesse momento e existe uma intenção clara de que a resposta de Israel seja considerada muito acima do que deveria ser numa situação como essa", afirma Vitélio Brustolin, professor de Relações Internacionais da UFF e pesquisador de Harvard.

O próprio porta-voz do Hamas disse, em entrevista a uma TV russa, que o grupo fingiu negociar com Israel por dois anos enquanto planejava a invasão sem ser interceptado pelo poderoso serviço de espionagem de Israel. Os primeiros ataques foram feitos com drones, enganando um sistema de defesa feito para guerra mais convencional.

"Os sistemas de defesa ainda são programados para aviões, helicópteros e coisas grandes de metal. Mas agora a realidade é que pequenos drones improvisados podem ser usados em ataques e um enxame deles produz uma operação militar", aponta Mark Hienay, da Human Rights Watch.

Os primeiros ataques do Hamas foram feitos com drones — Foto: Fantástico

Os alvos dos drones foram as torres de vigilância israelenses, inutilizando as câmeras e sensores que acusam a invasão. Israel ficou às escuras sobre o que avançava sobre o país.

"Não deixa de ser um ataque cibernético. É no espaço físico, mas o objetivo é reduzir a capacidade do adversário de acompanhar os fatos em tempo real. E a gente sabe que outros tipos de ataques cibernéticos estão acontecendo, como o congestionamento de servidores para sobrecarregar serviços importantes para a sociedade", explica Andrew Borene, ex-funcionário do Centro de Contraterrorismo dos EUA.

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