Área da mina 18 da Braskem, no Mutange, é monitorada 24 horas por dia por equipamentos e diariamente por imagens aéreas.

Por Roberta Batista, Nick Marone, g1 AL e TV Gazeta

  • Monitoramento de mina com risco de colapso em Maceió mostra ritmo de desabamento lento.

  • Velocidade do deslocamento de terra, reduziu, mas efeito do afundamento já é visível no local.

  • Imagens da Defesa Civil de Maceió mostram avanço das fissuras na área da mina.

  • Coordenador da Defesa Civil de Alagoas mostra que área molhada da mina aumentou.

  • 60% da mina fica na Lagoa Mundaú. Em caso de colapso, água da lagoa pode ficar salgada.

Imagens mostram avanço do afundamento do solo de mina com risco de colapso em Maceió

Imagens mostram avanço do afundamento do solo de mina com risco de colapso em Maceió

Imagens aéreas feitas pela Defesa Civil de Alagoas para monitorar a mina da Braskem com risco de colapso em Maceió mostram avanço das fissuras e que a área seca está sendo cada vez mais ocupada pela água da Lagoa Mundaú. O registro foi feito às 17h de sábado (2).

"Podemos observar que têm várias fissuras. As fissuras continuam sendo ampliadas nessa região. Então a cratera se encontra na lagoa [60% na lagoa Mundaú], com 40% no continente. Essa parte molhada ampliou hoje. Ontem tínhamos apenas uma pequena parte molhada. Isso prova que esse rebaixamento, esse afundamento da terra, que era de 1,40 m, está agora em torno de 1,60,m", disse o coordenador da Defesa Civil de Alagoas, coronel Moisés.

A instabilidade no solo foi agravada por décadas de mineração feita pela Braskem e provocou a evacuação de mais de 14 mil imóveis em cinco bairros, afetando cerca de 60 mil pessoas. Somente um ano após o primeiro tremor de terra que abriu rachaduras em ruas e imóveis, em 2018, a empresa encerrou a extração de sal-gema, minério utilizado na fabricação de soda cáustica e PVC.

O coordenador da Defesa Civil explicou que as imagens da mina, na área do antigo campo do CSA, no Mutange, são feitas pelo menos duas vezes por dia para acompanhar a evolução do afundamento do solo. A região tem outras 34 minas de responsabilidade da Braskem.

Além das imagens, a área é monitorada 24 horas por equipamentos. Segundo o coronel Moisés, somente no sábado, 250 tremores foram registrados no local. Não há relatos de que os microssismos tenham sido sentidos pela população.

"Estamos fazendo essas imagens duas, três vezes por dia, no mesmo horário. Acompanhando a mesma maré, para que possamos ter imagens reais de tudo o que está acontecendo", afirmou.

O solo na região da mina 18 está afundando em ritmo mais lento, de 0,7 cm/h, mas o risco de colapso não foi descartado. Do início do monitoramento, no dia 28 de novembro, até este domingo (3), o solo afundou 1,69 m.

Comparativos dia a dia também indicam desaceleração. Há 2 dias, a movimentação do solo em 24 horas era de pouco mais de 13 cm, reduziu para 11,8 no sábado e agora caiu novamente, ficando em 10,8 cm desde a manhã de sábado até a manhã deste domingo.

Entenda risco de colapso de mina da Braskem em Maceió

Entenda risco de colapso de mina da Braskem em Maceió

A área no entorno do Mutange já foi completamente evacuada, assim como na maior parte dos bairros vizinhos, Bom Parto, Bebedouro e Pinheiro. Segundo a Defesa Civil de Alagoas, o colapso da mina não representa mais risco para a população porque as regiões ocupadas estão a uma distância segura.

A mineradora afirmoa que vem adotando as medidas para o fechamento definitivo dos poços de sal, conforme plano apresentado às autoridades e aprovado pela Agência Nacional de Mineração (ANM).

Esse plano registra 70% de avanço nas ações, e a conclusão dos trabalhos está prevista para meados de 2025.

Mina de extração de sal-gema em Maceió cede quase 2 metros em 72 horas — Foto: Arte/g1