• Presidente do Congresso discursou durante cerimônia 'Democracia Inabalada', que marcou um ano dos atos de 8 de janeiro.

  • Na ocasião, Rodrigo Pacheco disse que os Poderes estão atentos aos 'traidores da pátria'.

  • Pacheco também anunciou a retirada de grades do entorno do Congresso Nacional.

  • Antes mesmo dos ataques, as grades foram colocadas em volta do Congresso. Depois dos ataques, elas não foram retiradas.

  • Com as grades no local, as pessoas ficam impedidas de circularem em frente ao prédio do Legislativo.

  • Cerimônia no Congresso contou com a presença de políticos e autoridades. Vários deles fizeram discurso, como Lula, Moraes e Barroso.

Presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco, anuncia a retirada de grades do Congresso.

O presidente do Congresso NacionalRodrigo Pacheco (PSD-MG), participou nesta segunda-feira (8) do ato "Democracia Inabalada", que marca um ano dos atos golpistas de 8 de janeiro.

Na ocasião, ele disse que os Poderes estão atentos aos que chamou de "traidores da pátria". Ele também anunciou que as grades do entorno do Congresso serão retiradas. As estruturas foram instaladas em frente ao prédio do Legislativo dias antes aos ataques e permaneceram no local.

"Neste ato que celebra a maturidade e a solidez de nossa República, digo a todos os brasileiros que os Poderes permanecem vigilantes contra os 'traidores da pátria', contra essa minoria que deseja tomar o poder ao arrepio da Constituição," afirmou Pacheco.

Ao se referir às grades, Pacheco disse que o Congresso "será aberto ao povo brasileiro". No entanto, não deu data. As grades em volta do Congresso impedem a circulação de pessoas por ali.

"É chegada a hora, em 8 de janeiro de 2024, um ano após essa tragédia democrática do Brasil, abrir o Congresso Nacional para o povo brasileiro. Retirar essas grades que circundam o Congresso Nacional, para que todos tenham a compreensão de que essa é a casa deles, é a casa do povo, é a casa de representantes eleitos, onde as decisões devem ser tomadas para o rumo do Brasil", disse o presidente do Congresso.

"Por isso, a decisão de suprimirmos essas grades, quero acreditar, de uma maneira definitiva, como símbolo da democracia viva que buscamos ter", completou Pacheco.

A cerimônia contou com as presenças do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, de ministros do governo e do STF, e de governadores e parlamentares.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), era aguardado, mas alegou um problema de saúde de um familiar, e não compareceu.

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O evento

No evento, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, cantou o Hino Nacional. E foi exibido um vídeo com imagens da depredação e da recuperação dos prédios dos Três Poderes.

As principais autoridades dos Três Poderes da República fizeram discursos:

  • Executivo: representado pelo presidente Lula
  • Legislativo: representado pelo presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG)
  • Judiciário: representado pelo presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, e pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do STF, Luís Roberto Barroso, e presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco, em evento 'Democracia Inabalada', que marca um ano dos ataques de 8 de janeiro — Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), discursou como representante das unidades da federação.

Além deles, estavam no palco principal:

  • o vice-presidente, Geraldo Alckmin
  • o ex-presidente José Sarney
  • a ex-presidente do STF e ministra aposentada da Corte Rosa Weber
  • a primeira-dama, Janja Lula da Silva
  • o vice-presidente do Senado, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB)
  • a senadora Eliziane Gama (PSD-MA)
  • Aline Sousa, do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis

Obras danificadas e exposições

O ato em memória dos ataques incluiu ainda duas ações simbólicas para marcar a recuperação de dois itens dos acervos do STF e do Senado.

Em um primeiro momento, as autoridades inauguraram placa que indica a restauração de uma tapeçaria, criada pelo paisagista e arquiteto Roberto Burle Marx e avaliada em R$ 4 milhões.

Arrancada da parede, urinada e rasgada pelos invasores, a peça foi uma das mais danificadas do Senado. O trabalho de restauro durou quase 300 dias e custou R$ 236,2 mil. A tapeçaria retornou à exposição, no Salão Negro do Congresso.

Na sequência, houve uma entrega simbólica do exemplar da Constituição Federal de 1988 roubado por vândalos na invasão ao STF. O item, que foi recuperado ainda em janeiro, ficava em exposição no Salão Branco da Corte.

Grades

g1 entrou em contato com a assessoria da Câmara dos Deputados, responsável pelas grades, para saber quando as estruturas ao redor do Congresso serão retiradas. Até a última atualização desta reportagem, a data não tinha sido informada.

A assessoria disse, apenas, que a retirada será "o mais breve possível". E acrescentou que elas são instaladas em caso de eventos ou outra necessidade e que, quando retiradas, são guardadas no depósito da Casa.