Irlan Almeida está visitando Guayaquil, epicentro da onda de violência que assola Equador. Crise no país se agravou nesta terça-feira (9) com invasão à emissora de TV.

Por Diogo Almeida, Luana Silva, g1 PB

Irlan Almeida está em Guayaquil, epicentro da onda de violência que assola Equador — Foto: Arquivo Pessoal/Irlan Almeida
1 de 2 Irlan Almeida está em Guayaquil, epicentro da onda de violência que assola Equador — Foto: Arquivo Pessoal/Irlan Almeida

Irlan Almeida está em Guayaquil, epicentro da onda de violência que assola Equador — Foto: Arquivo Pessoal/Irlan Almeida

O paraibano Irlan Almeida, que está no Equador, presenciou a onda de violência que foi registrada no país nesta terça-feira (9). Ele, que é de João Pessoa e reside na Chapada Diamantina, na Bahia, relatou ao g1 que estava na rua no momento em que os ataques se intensificaram e precisou voltar a pé para o hotel.

“Muitas pessoas correndo, carros descontrolados, era impossível pegar um táxi”.

Irlan conta que está no país como turista por um período de três meses. Na tarde desta terça-feira (9), ele e um amigo estavam conhecendo parques de Guayaquil, cidade considerada o epicentro dos ataques, que incluíram ataques a uma emissora de TV e sequestros (leia mais abaixo).

“Estava na rua com um amigo passeando nos parques, e uma amiga que é equatoriana me mandou uma mensagem ‘amigo, eu espero que vc esteja bem, sinto muito por tudo o que está passando no país com você e com outros turistas’".

O paraibano estava sem sinal de internet e não entendeu a mensagem, nem conseguiu se comunicar com a amiga para saber mais detalhes do que se tratava. Até que cerca de uma hora depois, o hotel onde ele estava hospedado entrou em contato relatando os ataques terroristas em todo o país.

Tanque do exército em rua de Quito, no Equador — Foto: Rodrigo BUENDIA / AFP

Estabelecimentos públicos e privados, como shoppings, supermercados e escolas foram fechados, e as atividades ainda não foram normalizadas nesta quarta-feira (10).

“Não saímos nem para comprar comida, pois fecharam todo o comércio, shoppings, etc. Hoje a cidade inteira permanece fechada, inclusive escolas e prédios públicos".

Voo para Galápagos

O paraibano afirmou que não presenciou nenhum ato de violência, apenas o pânico da população causado pelos últimos acontecimentos. Nesta quarta-feira (10), Irlan Almeida tinha um voo marcado para a ilha de Galápagos, que faz parte do Equador, mas que não está sob ataque.

Até a última atualização desta notícia, o paraibano estava no aeroporto tentando embarcar. Ele afirmou que o local estava pouco movimentado.

O turista está com voo de volta para o Brasil marcado para o dia 21 de janeiro. Ele disse que está em contato com a embaixada para verificar a possibilidade de retornar o quanto antes.

Irlan Almeida comentou que adora viajar, especialmente pela América Latina. O paraibano conheceu vários lugares do Equador e disse que até esta terça-feira (9) havia se sentido seguro nos pontos turísticos onde esteve.

“Eu gosto muito de fazer essas expedições, principalmente na América Latina, né, e o Equador era um país que eu gostaria muito de conhecer. A princípio, me pareceu muito seguro, com paisagens muito bonitas. Em geral, todos os lugares onde eu estive pareceram lugares muito seguros, muito turísticos, pessoas do mundo inteiro”.

Terror no Equador

A crise no Equador, que começou com motins em prisões, faz parte de uma onda de violência que vem tomando conta do país desde agosto de 2023, quando a eleição presidencial que deveria ocorrer apenas em 2025 foi antecipada após a dissolução da Assembleia Nacional.

Em agosto, às vésperas da votação, Fernando Villavicencio, um dos candidatos à presidência, foi morto a tiros à luz do dia ao sair de um comício.

Após a fuga de José Adolfo Macías Villamar, conhecido como Fito, chefe de facção criminosa, da prisão, no último domingo (7), o governo do Equador decretou estado de exceção.

Dois dias depois, homens armados invadiram uma universidade e os estúdios do canal de TV estatal TC Televisión, na cidade de Guayaquil, ao vivo, mantiveram pessoas como reféns e um dos invasores chegou a encostar uma arma no pescoço de um apresentador.

Equador enfrenta conflito com facções criminosas; brasileiro é sequestrado

Cerca de duas horas depois do ataque, a Polícia Nacional do Equador afirmou em na rede social X (Twitter) que controlou a situação, capturou 13 pessoas que invadiram os estúdios e "estabeleceu a ordem".

O presidente Daniel Noboa declarou 22 grupos como terroristas.Paralelamente à invasão, o Ministério das Relações Exteriores acompanha uma denúncia de sequestro de um brasileiro no Equador.

Gustavo, filho de Thiago Allan Freitas, afirmou, em vídeo nas redes sociais, que a família pagou parte do resgate e está desesperada por não ter o restante do dinheiro.

O Itamaraty afirmou que mantém contato com os familiares e "busca apurar as circunstâncias do ocorrido junto às autoridades locais".