De acordo com a embaixada, a mulher, cujo nome não foi divulgado, deixará o território com o bebê, que nasceu na noite de Natal, e seus outros dois filhos, de 2 e de 4 anos, e viajará para o Brasil no fim desta semana.

A brasileira estava sozinha com as crianças porque seu marido, que vivia em Gaza, viajava a trabalho quando a guerra estourou e, desde então, não conseguiu retornar, segundo disse ao g1 o embaixador do Brasil na Palestina, Alessandro Candeas.

A família, que tem dupla nacionalidade brasileira e palestina, residia no território quando a guerra começou, em 7 de outubro.

A brasileira, ainda segundo Candeas, não conseguiu viajar com o terceiro e último grupo de brasileiros que a embaixada havia conseguido retirar de Gaza por conta do estágio avançado da gravidez.

Ela deu à luz apenas um dia depois de o grupo chegar ao Brasil, na noite de Natal e em um dos poucos hospitais que ainda funcionam em Gaza, sob risco de bombardeios.

"Acompanhamos todo o tratamento dela. Nasceu em um dos poucos hospitais que conseguem funcionar precariamente", disse Candeas ao g1.

A brasileira deixará Gaza na quinta-feira (8) pela passagem de Rafah, no sul de Gaza. Ela cruzará a fronteira para o Egito junto de um grupo de estrangeiros que também receberam autorização - as listas de estrangeiros são enviadas pelas embaixadas aos governos de Israel e do Egito, que analisam e autorizam os nomes.

Desde o início da guerra, o Itamaraty vem tentando retirar brasileiros que ficaram retidos na Faixa de Gaza - o território só tem saídas para Israel, que foram fechadas, e para o Egito, pelo sul.

A fronteira com o Egito, na cidade fronteiriça de Rafah, também foi fechada após o início da guerra. No entanto, governos de vários países começaram a pressionar autoridades locais para reabrir a passagem e permitir, assim, a retirada de cidadãos estrangeiros.

Israel temia que a abertura dessa fronteira se tornasse uma via de fuga para terroristas do Hamas. Já o governo egípcio queria evitar que o conflito migrasse para seu país.

Após negociações, Egito e Israel decidiram reabrir parcialmente a passagem de Rafah, em poucas horas do dia e apenas para a saída de estrangeiros ou de ambulâncias com casos médicos emergenciais.

Na ocasião, o embaixador do Brasil na Palestina revelou ao g1 que mais brasileiros ainda estavam no território, e que o Itamaraty já trabalhava com uma segunda lista. O segundo grupo conseguiu deixar Gaza no início de dezembro e um terceiro, no fim do mesmo mês.

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