O podcast revisita o caso do garoto de 9 anos encontrado morto dentro de um freezer em um colégio católico tradicional. Um dos crimes mais emblemáticos da história de Piracicaba, que completa 35 anos em 2024.

Este texto contém revelações sobre o quarto episódio do podcast. A recomendação é ouvi-lo antes (acesse abaixo) e ler a reportagem depois.

A testemunha ouvida pelo g1 pediu para não ser identificada. Então, nesta reportagem, será identificada pelo nome fictício de Vinicius. Hoje, ele é casado, tem um filho e trabalha em um comércio de Piracicaba (SP), onde recebeu a reportagem, em uma sala do local.

Bar que alojava o freezer desativado onde corpo de João Paulo foi localizado — Foto: AcervoEP

Último encontro com João Paulo

Vinicius também frequentou o oratório, projeto social realizado na escola onde João Paulo estudava. Ele relatou que praticou esporte com João Paulo, durante as atividades do oratório, horas antes dele desaparecer, no dia 16 de dezembro de 1989.

“Eu fui lá pra cima para jogar esse espirobol. Aí, um foi para cada lado e depois dali eu já não sei o que aconteceu mais. À noite, o povo tava falando que o menino tinha sumido. Nós morávamos pertinho e escutamos que tinha sumido. Aí, um fala que viu ele pra fora e outro fala que não viu”.

A testemunha relatou incômodos quando era abordado por pessoas ligadas ao caso.

“O problema era que tinha que tá lá toda hora pra dar depoimento. E chama daqui, chama de lá. Às vezes, você tava na rua, que nem a gente costumava brincar na rua, chegava um carro da Polícia Civil atrás da gente: 'ah, quero falar com fulano, quero falar com ciclano'. Incomodava um pouquinho. Imagina você brincando na rua e a polícia atrás de você”.

Também relatou que Toninho Brancalion, pai de João Paulo, começou a ir até a sua casa pra tentar falar com ele. “Minha mãe perguntava: 'o que você tá aprontando pra rua'; 'por quê?'; 'porque tem fulano que vem vindo atrás de você'. [...] Só que ele vem sempre quando você não tá em casa [...] Essa parte foi o que mais me incomodou, que eu até falei com a juíza uma vez que eu fui lá”.

Já uma terceira situação aconteceu em um ponto mais adiante do caso, quando Vinicius foi abordado pelo próprio Joaquim, acusado pelo crime, e um irmão dele, antes de um depoimento.

“Eles vieram falar pra mim, pra eu chegar lá e só contar o que eu vi. Aí eu falei: 'vou contar só o que eu vi. Não vou falar o que eu não vi. O que eu não vi, eu não sei'".

Nova versão

Nessa entrevista, Vinicius também apresentou uma nova versão sobre o que se lembra do sábado em que João Paulo desapareceu, diferente de outras duas que apresentou durante o inquérito policial.

Em uma delas, por exemplo, ele disse à Polícia Civil que, após as atividades no oratório naquele dia, viu a vítima pela última vez em uma sala de depósito de materiais esportivos com um voluntário do projeto que depois foi acusado pelo crime.

Confira a seguir o que diz a conclusão do inquérito policial, os principais pontos dos depoimentos das testemunhas-chave e a nova versão de Vinicius relatada ao g1.

Início das apurações em local onde corpo foi encontrado — Foto: AcervoEP

Polícia Civil aponta homicídio

O relatório final do inquérito, datado de 24 de novembro de 1993 e assinado pelo delegado José Maria Franchim, conclui, a partir do laudo produzido por legistas, que como a morte ocorreu por asfixia mecânica e a vítima foi colocada morta e com ferimentos dentro do freezer, se trata de um homicídio.

Também aponta que ninguém de fora do colégio entraria no local para esconder o corpo.

"Isso é incompatível [...] Primeiro: se alguém matou o menino fora do colégio e ninguém viu, ele ia sumir, não ia querer esconder o corpo. Pra quê? E depois: seria impossível pular no lugar fechado com o corpo nas costas, num lugar onde estava cheio de cães bravos”, argumenta Franchim.

O documento ainda contextualiza que no domingo, 17 de dezembro de 1989, foi iniciado um almoço festivo no colégio onde João Paulo Brancalion brincou na véspera, dia em que desapareceu.

Em um depoimento à polícia, um homem que trabalhava como voluntário no projeto social que promovia o almoço disse que, por volta das 12h15, foi informado que estava faltando uma caixa de refrigerantes, então resolveu olhar em um freezer que estava desativado - para conferir se ninguém tinha guardado lá por engano - e encontrou o corpo de João Paulo.

Por motivos que serão revelados mais adiante nesta série, esse ex-voluntário será identificado pelo nome fictício de Joaquim.

Roupas e sapato de João Paulo dentro de freezer onde corpo foi encontrado — Foto: Reprodução/ Polícia Civil

As testemunhas-chave

Mas os pontos principais da tese policial se basearam em outros depoimentos, a respeito de fatos ocorridos na véspera do almoço de Natal, ou seja, o sábado, dia 16 de dezembro de 1989, dia do desaparecimento de João Paulo.

Segundo o relatório policial, naquele sábado, como de costume, Joaquim abriu a sala de materiais esportivos que fica em um piso inferior do ginásio e pegou os materiais para dar para as crianças e adolescentes do oratório brincarem.

A partir desse ponto do relatório, são citados depoimentos de novas testemunhas-chave que, devido ao teor de seus relatos, também serão identificadas por nomes fictícios para que não sejam expostas.

Uma dessas testemunhas será chamada de Mariana. Na época, ela tinha 18 anos e era voluntária na organização das atividades esportivas do oratório. Outra testemunha é Vinicius, que é irmão da Mariana.

Roupas e sapatos de João Paulo foram encontrados ao lado do corpo — Foto: AcervoEP

A seguir, veja os principais pontos dos depoimentos dessas duas testemunhas que foram usados na conclusão do inquérito policial.

Depoimentos de Mariana

  • Relatou que era comum alguns oratorianos ajudarem o Joaquim a guardar os materiais esportivos depois das atividades. E que no dia do desaparecimento da vítima essa tarefa foi realizada por ela, por seu irmão Vinícius, por João Paulo e pelo próprio Joaquim.
  • Disse que depois que deixou o material na sala de jogos, saiu desse cômodo, e ficaram nele o Joaquim, João Paulo e o Vinicius.
  • Afirmou que, depois, viu seu irmão Vinicius assistindo futebol pela TV. E que depois viu Joaquim de novo, quando ele pediu para as crianças saírem do oratório porque precisava fechar, antes mesmo do jogo terminar. Segundo ela, nesse momento, ele tinha pressa e estava ansioso.
  • Disse que a única pessoa que tinha as chaves da sala onde eles guardavam os materiais esportivos era o Joaquim e, portanto, era quem abria e fechava esse depósito.

Depoimentos de Vinicius

  • Disse que depois que a Miriam saiu da sala, ele também saiu, para assistir ao jogo na TV, e ficaram no cômodo somente João Paulo e o Joaquim.
  • Acrescentou que, após cerca de 15 a 20 minutos, Joaquim chegou nessa sala da TV dizendo que iria encerrar as atividades do oratório antes que a partida acabasse, e pediu para que todos saíssem.
  • Contou que não viu João Paulo assistindo futebol pela TV ou saindo da escola com os outros oratorianos.
  • Falou que o Joaquim fechou a porta do colégio após a saída das crianças e voltou para dentro do colégio.
“No dia em que houve o homicídio, como era o costume, três pessoas ajudavam a recolher os brinquedos que eles usavam as atividades. Um era o [Vinicius], o outro era o João Paulo e uma irmã do [Vinicius]. Os três estiveram na sala com o suspeito. E ali eles arrumaram os brinquedos, arrumaram a sala e aí cada um saiu [...]. E o João Paulo ficou e não foi mais visto”, resume o delegado José Maria Franchim.

Croqui produzido por desenhista técnico pericial detalha onde corpo foi encontrado e piso inferior onde ficava depósito de materiais esportivos — Foto: Reprodução/ Polícia Civil

A terceira testemunha-chave será identificada pelo nome fictício de Adelina. Ela era faxineira do colégio e, na época do crime, tinha 65 anos. Os seguintes depoimentos dela foram utilizados na conclusão do inquérito policial:

Depoimentos de Adelina

  • Relatou que desceu as escadas do ginásio e notou que um cheiro desagradável vinha na direção da sala onde se guardava o material esportivo.
  • E, olhando no chão dessa sala, viu várias manchas de sangue, e as maiores tinham entre 10 e 15 centímetros de diâmetro. Ela ainda disse que essas manchas estavam secas.
  • Então, Adelina disse que as faxineiras começaram a lavar a área onde ficava o freezer onde a vítima foi encontrada e a água desceu pelas escadas até o andar onde fica a sala de materiais, e tudo foi lavado, inclusive essas manchas.
  • Contou que encontrou também “pinguinhos” de sangue no começo da escada que fica entre a sala de materiais e o bar do ginásio, onde fica o freezer.
  • E que no freezer encontrou quatro manchas de sangue menores: uma no trinco da porta, duas no interior dele e uma no chão, na direção de um furo existente no refrigerador.

“Na segunda-feira, quando ela [faxineira] chegou para trabalhar, daí que ela encontrou respingos de sangue que eram da sala de material. E, coincidentemente, o respingo de sangue, eles partiam de onde? Da sala de materiais. E quem é que estava na sala de materiais? Eram os quatro”, afirma o advogado José Silvestre da Silva, que representou a família de João Paulo no caso.

Franchim também destaca que, segundo as testemunhas, apenas Joaquim tinha a chave daquela sala.

“A chave da porta onde guardavam os brinquedos, cujos brinquedos eram guardados pela vítima e por duas testemunhas, era fechada pelo acusado e só ele tinha a chave dali, ninguém mais tinha a chave dali. no dia no dia subsequente, as faxineiras foram efetuar a limpeza do prédio e encontraram nesse salão manchas de sangue, algum vestígio de sangue ali”.

Laudo pericial de local mostra onde foram encontradas manchas de sangue (pontos A e B) — Foto: Reprodução/ Polícia Civil

Pedido de prisão

No dia 24 de novembro de 1993, a Polícia Civil pediu a prisão preventiva de Joaquim com três justificativas:

  1. de que estava procurando ficar fora da cidade, por realizar atividades comerciais em uma outra a 320 quilômetros de Piracicaba;
  2. que pessoas ligadas ao colégio e ao oratório estariam tentando orientar testemunhas sobre como deviam depor,
  3. devido ao clamor popular gerado pelo caso.

Pedido de prisão preventiva de suspeito no caso João Paulo pela Polícia Civil — Foto: Reprodução/ Polícia Civil

Joaquim, que já tinha deixado as atividades no colégio cerca de dois meses após a morte de João Paulo a pedido de um dos padres responsáveis, foi denunciado pelo Ministério Público em 29 de novembro de 1993, por homicídio e ocultação de cadáver. Como agravantes, que são detalhes do crime que podem levar ao aumento da pena, a Promotoria apontou que ele foi cometido por meio cruel e contra uma criança.

O pedido de prisão foi negado por duas vezes pela Justiça, mas, em 18 de agosto de 1995, foi acolhido um recurso e decretada a prisão. O voluntário do colégio foi preso três dias depois e levado à Cadeia Pública de São Pedro.

"Pra mim é um alívio, pra mim como para toda minha família. Depois de seis anos, praticamente, a pessoa estava solta. Agora não sei o que vai acontecer com ele. Vai ser encaminhado para a Justiça para ver o que vai acontecer com ele", comentou o pai de João Paulo, Toninho Brancalion, em entrevista à EPTV, no mesmo dia da prisão.

Toninho Brancalion, na época do pedido de prisão do suspeito pela morte de João Paulo — Foto: AcervoEP

O voluntário da escola sempre negou que cometeu o crime.

"Essa prisão preventiva, com todo respeito à 4º Câmara do Tribunal de Justiça de São Paulo, não tem fundamento algum. Ela é literalmente insustentável, juridicamente insustentável", afirmou Ralph Tortima Stettinger, advogado do ex-voluntário

Tórtima recorreu e alegou que a defesa não tinha sido intimada sobre a decisão. Vinte e um dias depois, foi acolhido um recurso dele e a prisão foi revogada. Joaquim, então, passou a responder novamente em liberdade.

Tórtima não tinha condição de conceder entrevista para o g1 nesta série devido a um quadro de Alzheimer.

Depoimentos contraditórios

Nos autos, a defesa de Joaquim foi baseada no fato de que as três testemunhas-chave utilizadas na conclusão do inquérito da Polícia Civil se contradiziam nos diversos depoimentos prestados durante os quatro anos de investigações.

E que os depoimentos prestados nos momentos mais próximos ao ocorrido, não continham nada que comprometesse o acusado.

Trecho da tese de defesa do ex-voluntário que foi denunciado à Justiça — Foto: Reprodução

Veja a seguir os depoimentos utilizados por Tórtima em sua linha de defesa:

Depoimentos iniciais de Mariana

  • Ela diz que foi embora do colégio às 17h30, mas às 17h50 passou em frente à escola e viu que João Paulo saía do local junto com o Vinicius.
  • Afirmou que por volta das 16h50 se preparava para deixar o colégio quando decidiu tomar um refrigerante, foi até a cantina do colégio e viu lá João Paulo, sobre uma mesa de pebolim, junto com outros meninos. E que saindo de lá não o viu mais.
  • Também nesse depoimento, ela afirmou que, naquele dia, ela e Joaquim tinham guardado os materiais esportivos.

Depoimentos inicias de Vinicius

  • Afirmou que pouco antes de terminar o jogo do São Paulo e Vasco naquele sábado, ele saiu do colégio junto com João Paulo e foram até próximo a um bar, na Rua Dom Pedro 2º, um quarteirão acima da escola. E que nas proximidades desse bar, se separaram, já que o garoto disse que iria para casa.
  • Ele voltou a afirmar que deixou o colégio com o colega.
  • Além de reafirmar que tinha saído do colégio com João Paulo, ele relatou que naquela tarde eles não guardaram materiais esportivos, porque eles já tinham sido guardados por Mariana e Joaquim.

Depoimentos iniciais de Adelina

  • Ela afirma que, além de três manchas de sangue no interior do freezer, não tinha encontrado outras em qualquer lugar do colégio e que não tinha sido informada pelas outras funcionárias da limpeza de que tinham encontrado algo.
  • Ela afirmou que na quarta-feira seguinte ao crime pediu que as faxineiras fizessem a limpeza do local, o que ocorreu em seguida. E que não foi informada por elas sobre o encontro de manchas ou respingos de sangue na sala de jogos do oratório e sanitários.
“Não há provas com relação à participação do [ex-voluntário] nesse crime. Tentou-se criar, tentou-se forjar, mas aquilo que foi criado e forjado não vingou [...] Condenação só se pode proferir ante à certeza do comprometimento. E não existe certeza de nada porque a polícia não concluiu coisa alguma de concreto, de objetivo”, afirmou Tórtima em uma entrevista à EPTV.

Tórtima durante entrevista à EPTV sobre a acusação ao ex-voluntário — Foto: AcervoEP

Versão de Vinicius ao g1

Ao g1, em dezembro de 2023, Vinicius deu uma nova versão, com detalhes diferentes das que deu durante depoimentos. Confira os detalhes dela a seguir:

  • Naquele sábado em que João Paulo desapareceu, ele brincou com a vítima. “Eu fui lá pra cima para jogar esse espirobol e foi a hora que nós jogamos juntos espirobol. Aí um foi para cada lado e depois dali eu já não sei o que aconteceu mais”.
  • Ele diz que só ouviu falar do garoto de novo quando começaram a falar que ele tinha sumido.
  • Nessa nova versão, ele não disse que foi embora do colégio com João Paulo ou que guardou os materiais esportivos com ele. Uma nova versão que não incrimina o joaquim.
  • Vinicius disse não se lembrar do João Paulo ajudando a guardar materiais esportivos naquele final de semana. E que, pelo que se lembra, o menino não costumava ajudar com isso. “Nessa parte, eu não me recordo [sobre João Paulo ajudar a guardar os materiais]. Nem nesse final de semana. Eu acho que não”.

Ginásio onde ficava freezer onde corpo de garoto foi encontrado — Foto: AcervoEP

Por que os depoimentos mudaram?

Sobre os depoimentos contraditórios para a Polícia Civil e Justiça, acusação e defesa apresentavam diferentes hipóteses sobre o motivo disso ter ocorrido:

Para o Ministério Público, isso ocorreu porque essas testemunhas eram frequentadoras do oratório e seriam pressionadas por pessoas ligadas ao acusado.

Por outro lado, a defesa de Joaquim afirmou que a polícia teria pressionado essas pessoas, já que estaria sofrendo desgastes com o caso e queria apresentar uma conclusão.

Sérgio Bastos, delegado seccional na época, folheia inquérito do caso João Paulo — Foto: AcervoEP

“Eu acredito o seguinte: essas testemunhas [Vinicius e Mariana] eram pessoas de pouca idade, né? Então, quando uma pessoa dessa idade se depara com uma situação como essa aí, realmente ele fica temeroso, fica com medo e realmente é complicado para eles”, afirma Franchim.

Apesar da pouca idade das testemunhas, ele afirma que com os adultos não vinha conseguindo informações para avançar com as investigações.

“Quando comecei a ouvir os meninos é que começou a surgir alguma alguma informação a respeito. Mas as crianças são temerosas. Elas não têm assim aquele sentido assim de ‘não, vamos falar a verdade porque é verdade’. Não. Primeiro, eles procuram se proteger”, acrescenta o então delegado.

João Paulo Brancalion tinha 9 anos quando foi encontrado morto — Foto: AcervoEP

O g1 não conseguiu localizar Mariana. Em depoimento do dia 14 de outubro de 1994, ela disse que, na verdade, o dia em que viu João Paulo saindo do colégio era relacionado ao sábado anterior ao seu desaparecimento, e que informou durante o inquérito sobre a confusão de datas que fez.

Também garantiu que nunca disse que somente ela e Joaquim tinham guardado os materiais.

Nesse depoimento, ela também alterou um detalhe: disse que quando saiu da sala de materiais, Joaquim descia as escadas e se dirigia até essa sala, onde estavam João e Vinicius, diferente do registrado em depoimentos anteriores, de que o acusado já estava nesse cômodo quando saiu.

Adelina não chegou a falar à polícia ou à Justiça sobre o motivo de ter prestado depoimentos diferentes. Ela faleceu em 29 de setembro de 2018.

Local onde o corpo do João Paulo foi encontrado — Foto: AcervoEP

Em nota ao g1, o Colégio Dom Bosco afirmou que “se pauta pela transparência", “tem uma trajetória de posicionamento ético", que se solidariza com a dor dos familiares e amigos de João Paulo e que sempre prestou auxílio à família e às autoridades. Leia abaixo o texto na íntegra:

"Como instituição de ensino que se pauta pela transparência nas relações mantidas com os diversos públicos, o Colégio Salesiano Dom Bosco de Piracicaba tem uma trajetória de posicionamento ético nas mais diversas situações.

A atual diretoria da instituição assumiu as atividades em 2021 e, sempre que solicitada, tem se pronunciado sobre as mais diversas questões que envolvam o colégio e toda a comunidade escolar.

Em relação à morte do aluno João Paulo Brancalion, ocorrida em dezembro de 1989, o Colégio se solidariza com a dor dos familiares e amigos, que têm a dor revivida em diversas situações que retomam o caso.

Destacamos que o Colégio sempre prestou auxílio à família e às autoridades. Ressaltamos ainda que todas as informações sobre o caso estão detalhados nos documentos que compõem o processo judicial".

Fachada do Fórum de Piracicaba — Foto: Daniela Smania/ TJSP

Decisão por júri popular

E foi em meio a esses conflitos de narrativas que, no dia 12 de agosto de 1997, a juíza Meibel Farah, da 1ª Vara Criminal de Piracicaba, decidiu que o ex-voluntário do colégio seria levado a júri popular. Ou seja, quem deveria julgá-lo seriam representantes da sociedade.

Porém, o júri seria realizado quase seis anos depois, em março de 2003. Ou seja, pouco mais de 13 anos após o crime, o mais longo júri da história de Piracicaba até então, finalmente, seria realizado.

Esse desdobramento do caso será abordado no próximo episódio dessa série.

Sapatos e roupas de João Paulo foram encontrados arrumados ao lado do corpo — Foto: Reprodução/ Poder Judiciário