A indústria automobilística costuma manter um bom ritmo de investimentos no país. Mas, nos últimos meses têm chamado a atenção a frequência de novos e robustos programas. Com os R$ 9 bilhões revelados pela Volkswagen esta semana, o total de recursos anunciados pelos fabricantes de carros desde 2021, para esta década, soma R$ 41,4 bilhões. Metade disso foi anunciada há menos de três meses. O valor total vai subir nos próximos dias, quando a Stellantis, deve revelar um novo plano. O anterior chegou a R$ 16 bilhões.

Além do ambiente econômico mais estável, favorecido por reformas, sobretudo a tributária, os investimentos aceleram à medida que o país, oitavo maior produtor de veículos do mundo, começa a definir a futura matriz energética dos automóveis aqui produzidos. Novos carros híbridos a etanol marcarão a entrada das fábricas brasileiras na era da eletrificação.

O novo elenco de recursos, que o setor planeja esgotar por volta do fim da década, se somam a outros R$ 40,10 bilhões de programas também recentes, muitos dos quais ainda em curso. Adicionados aos últimos ciclos das montadoras de caminhões e ônibus, que ainda não anunciaram novos programas, o total passa de R$ 90 bilhões em toda a indústria de veículos entre 2017 e 2032.

As características dos programas indicam que o Brasil não vai mergulhar de vez na era dos carros elétricos. Mas dará um passo significativo nessa direção. A maior parte do novo plano da Volks será aplicada em nova plataforma, especialmente desenvolvida para modelos de carros que poderão ser abastecidos com etanol. A Stellantis tende a seguir o mesmo rumo, reforçando, assim, um movimento iniciado pela Toyota há três anos.

Com exceção das duas chinesas que estreiam produção no país este ano - BYD e Great Wall Motor -, entre as veteranas, quase não haverá expansões industriais, já que o setor trabalha com sobra de capacidade. Também não está previsto aumento significativo no nível de emprego, mas, a preservação do atual.