"Eu, sinceramente, não tenho muitas condições de falar sobre uma ação da Polícia Federal porque isso é uma coisa sigilosa, é uma coisa da polícia, uma coisa da Justiça. E não cabe ao presidente da República ficar dando palpite numa atuação dessa", disse Lula.

"Obviamente que tem muita gente envolvida, eu acho que tem muita gente que vai ser investigada, porque o dado concreto é que houve uma tentativa de golpe, houve uma política de desrespeito à democracia, houve uma tentativa de destruir uma coisa que construímos há tantos anos, que é o processo democrático, e essa gente tem que ser investigada", continuou.

Perguntado se a investigação levaria à participação de Bolsonaro nessa suposta tentativa de golpe, Lula evitou ser taxativo, mas disse acreditar no envolvimento do ex-presidente.

''Eu não sei, eu acho que não teria acontecido sem ele. O comportamento dele foi muito diferente. Primeiro, antes das eleições, ele passou o tempo inteiro mentindo sobre as eleições, mentindo sobre as urnas, criando uma suspeição sobre a urna que foi responsável pela eleição dele em 2018."

"O cidadão que estava no governo, não estava preparado para ganhar, não estava preparado para perder, não estava preparado para sair. Tanto é que não teve nem coragem de me passar a faixa, ficou chorando e foi embora para os EUA porque ele deve ter participado da construção dessa tentativa de golpe. Então, vamos esperar as investigações", disse.

O presidente também defendeu a investigação sobre financiadores dos acampamentos golpistas em frente a quarteis do Exército, após as eleições de 2022.

"Nós queremos saber quem é que financiou, queremos saber quem é que pagou, quem é que financiava aqueles acampamentos, sabe, para que a gente nunca mais permita que aconteça o ato que aconteceu no dia 8 de janeiro", prosseguiu o presidente.

Lula repetiu, na entrevista a uma rádio mineira, a ressalva que tem feito sempre que é questionado sobre os inquéritos de Bolsonaro: que defende a presunção de inocência. Lula costuma dizer que não teve direito a essa presunção de inocência quando foi alvo da operação Lava Jato, na década passada.

Operação mira Bolsonaro e aliados

Saiba quem são os alvos da operação sobre tentativa de golpe em 2022

Saiba quem são os alvos da operação sobre tentativa de golpe em 2022

A Polícia Federal deflagrou uma operação nesta quinta-feira (8) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, ex-ministros e ex-assessores dele investigados por tentar dar um golpe de Estado no país e invalidar as eleições de 2022, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao todo, a PF cumpre 33 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva. Há ainda medidas cautelares, como proibição de contatos entre os investigados, retenção de passaportes e destituição de cargos públicos.

Os mandados foram autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Os nomes dos alvos não tinham sido divulgados até as 8h30.

Jair Bolsonaro é alvo de medidas restritivas – por exemplo, a entrega do passaporte às autoridades em até 24 horas.

Há mandados de prisão preventiva contra:

  • Filipe Martins, ex-assessor especial de Bolsonaro;
  • Marcelo Câmara, coronel do Exército citado em investigações como a dos presentes oficiais vendidos pela gestão Bolsonaro e a das supostas fraudes nos cartões de vacina da família Bolsonaro;
  • Rafael Martins, major das Forças Especiais do Exército;
  • Bernardo Romão Corrêa Netto, coronel do Exército.

Há também mandados de busca e apreensão contra:

  • Valdemar Costa Neto, presidente do PL – partido pelo qual Bolsonaro disputou a reeleição;
  • Braga Netto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice de Bolsonaro em 2022;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
  • general Paulo Sérgio Nogueira, ex-comandante do Exército;
  • almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante-geral da Marinha;
  • general Stevan Teófilo Gaspar de Oliveira, ex-chefe do Comando de Operações Terrestres do Exército;
  • Tércio Arnaud Thomaz, ex-assessor de Bolsonaro e considerado um dos pilares do chamado "gabinete do ódio".