Apesar de estarem mais limpos e mais seguros, na última terça-feira (12) o g1 percorreu os dois locais e encontrou problemas básicos de infraestrutura que ainda não foram solucionados pela concessionária Novos Parques Urbanos, responsável por ambos os espaços há mais de 18 meses.

Em nota, a concessionária informou que "realiza zeladoria frequente nos parques", que "assumiu há pouco mais de um ano e vem realizando investimentos neste período" (leia a íntegra ao final do texto).

No Villa Lobos, as principais reclamações atualmente são sobre a falta de manutenção de algumas quadras esportivas e de bebedouros, além da falta de reforma nos banheiros, que apresentam infiltrações, vazamentos, azulejos quebrados e pichações.

"Tenho sentido muita falta de bebedouros aqui. Antigamente a gente encontrava vários sem torneiras. A gente tem que andar uma distância enorme para achar um funcionando. E coincidência ou não, o número de vendedores da água e quiosques cresceu. Às vezes a gente até pensa que é de propósito, para estimular a gente a comprar", disse o estudante e patinador Vitor Silva Santos, frequentador semanal do Villa Lobos.

Parque Villa Lobos, na Zona Oeste de São Paulo, apresenta problemas sérios de infraestrutura

Na visita da terça (12), o g1 encontrou ao menos seis banheiros em péssimas condições estruturais, apesar de estarem limpos e com papel higiênico disponível. Esses banheiros atualmente também têm um funcionário do parque na entrada (veja fotos).

Na visita, foram identificados apenas dois dos dez complexos de banheiros do parque em obras. Segundo os funcionários, a reforma do banheiro perto da biblioteca é a mais adiantada e começou em janeiro, mas não tem data para entrega. A área está cercada por tapumes.

Já a segunda unidade, perto das quadras de tênis, a reforma começou recentemente e está em fase inicial.

No parque, o g1 também encontrou grades furadas, redes esportivas completamente rasgadas e algumas quadras esportivas ainda sem pintura.

O orquidário Ruth Cardoso, um marco do Villa Lobos, continua completamente interditado por tapumes. Na parte de fora do orquidário, água acumulada da chuva servia para o banho dos pássaros quero-quero e uma possível proliferação de mosquitos.

Parque da Água Branca

Fachada danificada da entrada principal do Parque da Água Branca, na Zona Oeste de SP, pela Av. Francisco Matarazzo. — Foto: Rodrigo Rodrigues/g1

No Parque da Água Branca, na região da Barra Funda, a situação não é diferente. Apesar de muitos funcionários fazendo a orientação e segurança do espaço, logo na entrada do parque é possível ver que nem os vitrais quebrados foram trocados.

A placa que sustenta o nome do parque está torta e segurada por um emaranhado de fios.

Na parte de dentro, o g1 encontrou prédios interditados por causa de rachaduras, banheiros igualmente deteriorados e três de oito brinquedos infantis interditados há meses no playground.

"Venho aqui duas vezes por semana com a minha filha e esses brinquedos estão parados há meses. Tem uma placa dizendo que está em fase de reparos, mas o conserto nunca acontece. Alguns escorregadores foram de fato trocados, e o parque está mais bem cuidado. Mas é bem pouco do que a gente imagina que deveria ter sido feito até agora pela empresa que assumiu", disse o administrador João Henrique do Santos, morador do entorno do parque.

Um dos três escorregadores interditados do playground do Parque da Àgua Branca, na Zona Oeste de São Paulo. — Foto: Rodrigo Rodrigues/g1

Segundo a concessionária, a manutenção de um parquinho infantil ocorreu na última semana, logo depois que o g1 esteve no local.

"Como é de conhecimento público, tanto as estruturas quanto as árvores são tombadas e não podem sofrer interferência sem a anuência, que já foi solicitada com a entrega de projetos, dos Conselhos de Patrimônio do Município e do Estado", disse a empresa.

O que diz a Novos Parques Urbanos

Segundo a concessionária, "as obras dos banheiros foram adiantadas em seis meses do prazo do edital – um conjunto próximo à biblioteca será entregue até o fim do mês e outro, próximo às quadras de tênis, está em obras".

"As demais reformas começarão nas próximas semanas e serão entregues em até 24 meses, conforme prazo legal. O Orquidário, que já estava fechado antes da concessão, tem prazo de obras de até 36 meses. Sempre após a chuva é feita a drenagem do local."

Quanto à questão dos bebedouros, a concessionária diz que as torneiras foram alvo de vandalismo e a reposição já foi providenciada, com instalação iniciada na quarta-feira (13). Porém, no dia anterior, parte deles já tinham sido novamente vandalizada e as torneiras, furtadas.

"A Reserva Parques realiza zeladoria frequente nos parques Água Branca, Villa-Lobos e Candido Portinari. A concessionária assumiu há pouco mais de um ano e vem realizando investimentos neste período. Neste período houve a instalação de câmeras de segurança e adoção de câmeras corporais, reforma do estacionamento, entregue a nova quadra de basquete, readequação das redes de esgoto e elétrica, pinturas, início da reforma do piso da Esplanada, além de serviços básicos como poda, corte de mato, implantação de bancos e lixeiras, entre outros", disse a empresa.

O que diz o governo de SP

Procurada, a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) - órgão do governo de São Paulo que assumiu a fiscalização dos contratos de concessão durante a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) - disse que as melhorias dos dois parques estão dentro do prazo contratual previsto.

"Desde o último dia 15, a Arsesp fiscaliza o cumprimento dos contratos e os prazos para conclusão das obras nos parques estaduais urbanos, concedidos pelo Governo de São Paulo. As obras para a reforma e melhorias nos parques Villa Lobos e Água Branca, estão em andamento e dentro do prazo contratual previsto. Em caso de atraso ou descumprimento do cronograma, as medidas legais previstas serão adotadas", afirmou a agência.

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