“Combater a corrupção é uma das minhas prioridades. Por isso, precisamos investir e fortalecer a inteligência para atuar em lavagem de dinheiro”, afirmou à época.

Dias depois da morte de Marielle, Rivaldo se reuniu com parlamentares da bancada do PSOL para garantir que o crime seria esclarecido o mais rápido possível.

Em uma entrevista coletiva, o delegado disse: "Nós estamos no caminho certo. A complexidade está na forma de atuação dos assassinos. Mas, a gente está fazendo de tudo para esclarecer essa atividade criminosa".

Saiba quem são os suspeitos de mandar matar Marielle

A intervenção começou em fevereiro de 2018, quando Braga Netto foi indicado pelo então presidente Michel Temer.

Investigação da investigação

Foi Rivaldo quem levou ao titular da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), Giniton Lages, encarregado do caso e escolhido por ele, a informação de que três delegados da Polícia Federal teriam conseguido achar uma suposta testemunha do crime. A história se tratava de uma farsa, segundo ficou comprovado pela PF numa apuração paralela, conhecida como "investigação da investigação'".

No entanto, ficou comprovada que a versão era falsa, como foi confirmado, dez meses depois, pela apuração paralela da Polícia federal, que ficou conhecida como "investigação da investigação".

Casos Amarildo e Patrícia Acioli no currículo

Barbosa sempre realçou em seu currículo a expertise no setor de inteligência. Em 2007, chefiou a Coordenadoria de Informação e Inteligência Policiais (Cinpol) e, pouco mais de um ano depois do curso na ESG, liderou a captura de João Rafael da Silva, o Joca, que dividia o comando da venda de drogas na Rocinha com Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem.

A equipe de Barbosa o monitorou até encontrá-lo em Fortaleza (CE) e cumpriu a ordem de prisão sem um único disparo — o que motivou elogios ao trabalho.

No mesmo ano, Barbosa também foi o responsável pelo plano de inteligência e segurança dos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio. Em agosto do ano seguinte, tornou-se subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança, onde ficou por quase três anos, na gestão do ex-governador Sérgio Cabral.

A partir de 2009, esteve no comando da Divisão de Capturas e Polícia Interestadual até assumir a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), em 2012. Na especializada, Barbosa desvendou o assassinato da juíza Patrícia Acioli, em agosto de 2011.

Também foi o delegado que investigou o caso do desaparecimento e morte do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, crime ocorrido em julho de 2013, na Favela da Rocinha, Zona Sul do Rio. Nos dois casos, policiais militares foram presos.

Em seguida, ele tornou-se diretor da Divisão de Homicídios, responsável pelas três delegacias que cuidam de desvendou assassinatos no estado.

Atualmente, ele se encontra à frente da Coordenadoria de Comunicações e Operações Policiais, que cuida da operação com rádios da corporação, algo praticamente em desuso.

Outros presos

Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, e seu irmão Chiquinho Brazão, deputado federal do Rio de Janeiro, também foram presos neste domingo pela Polícia Federal e o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Eles são apontados como mandantes do assassinato de Marielle.

Chiquinho Brazão, Domingos Brazão e Rivaldo Barbosa, acusados de mandar matar Marielle Franco — Foto: Reprodução

Além das prisões, a PF cumpre mandados de busca e apreensão, inclusive nas sedes do TCE e da Chefia de Polícia Civil do RJ.

Polícia Federal prende suspeitos do assassinato de Marielle Franco

Polícia Federal prende suspeitos do assassinato de Marielle Franco

Prisão surpreende famílias de Marielle e Anderson

"A minha filha confiava nele e no trabalho dele. E ele falou que era questão de honra dele elucidar [a morte da vereadora]. Por questões óbvias, porque a Marielle, além dele confiar, a Marielle garantiu a entrada do doutor Rivaldo no Complexo da Maré depois de uma chacina para ele entrar e sair com a integridade física garantida".

A viúva de Marielle, Monica Benicio, também lamentou "saber que o homem que nos abraçou, prestou solidariedade e sorriu hoje tem envolvimento".

A viúva de Anderson Gomes, motorista de Marielle que também foi morto a tiros no atentado contra a vereadora, afirmou que a suspeita contra Barbosa é um "tapa na cara".

Outro delegado é alvo

Também houve buscas na casa do delegado Giniton Lages, chefe da Delegacia de Homicídios do RJ quando Marielle Franco e Anderson Gomes foram mortos.

Neste domingo, ele e o comissário Marco Antônio de Barros Pinto, que atuavam na Delegacia de Homicídios do Rio na época do crime, foram afastados das funções públicas por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Durante cinco anos, a investigação dos assassinatos de Marielle e Anderson esteve centralizada no estado, que nunca apontou quem foram os mandantes

A investigação chegou recentemente ao STF por causa do envolvimento de autoridade com foro privilegiado, caso do deputado federal Chiquinho Brazão.

E coube ao relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes, homologar a delação de Ronnie Lessa, que abriu caminho para as prisões.