Trump diz acreditar em desfecho para guerra, mas Zelensky e quer garantia

Trump diz acreditar em desfecho para guerra, mas Zelensky e quer garantia


Estão presentes Emmanuel Macron (presidente da França), Keir Starmer (premiê do Reino Unido), Friedrich Merz (chanceler da Alemanha), Ursula von der Leyen (chefe da Comissão Europeia), Mark Rutte (chefe da Otan), Giorgia Meloni (premiê da Itália) e Alexander Stubb (presidente da Finlândia).

"Tivemos um dia de muito sucesso até o momento", afirmou Trump no início da reunião com os líderes europeus e Zelensky, sem dar mais detalhes. O presidente americano disse, sobre seus aliados europeus, achar que "chegaremos a um comum acordo hoje".

Segundo Trump, após aparar as arestas com os aliados europeus e voltar a consultar Putin, "em uma ou duas semanas vamos saber se vamos conseguir ou não resolver os combates terríveis". Ele falou ainda em buscar o "quanto antes" uma reunião trilateral com Zelensky e Putin para alinhar os termos de um acordo.

"Vamos ter uma ligação telefônica com Putin logo após essas reuniões de hoje, e talvez tenhamos ou não uma reunião trilateral. (...) Putin está esperando minha ligação quando terminarmos esta reunião. Há uma chance razoável de que essa negociação avance. [...] Se tudo funcionar bem hoje, teremos uma reunião trilateral", afirmou Trump junto com Zelensky no Salão Oval da Casa Branca.

Os líderes europeus, no entanto, pediram a Trump por maiores garantias de segurança contra a Rússia em um eventual acordo de cessar-fogo, e que assegurar a segurança da Ucrânia é fundamental para a Europa inteira.

Presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, tiram foto junto com outros líderes europeus na Casa Branca em 18 de agosto de 2025. — Foto: REUTERS/Alexander Drago

A reunião ocorreu dias após uma reunião presencial de Trump com o presidente russo, Vladimir Putin, em uma base militar no Alasca, que terminou sem acordo para cessar-fogo. O evento foi a primeira vez que Putin pisou em solo americano em quase dez anos —algo considerado uma vitória diplomática para o russo, isolado da comunidade internacional desde que invadiu a Ucrânia.

Presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump (à direita), e da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, conversam com jornalistas no Salão Oval da Casa Branca em 18 de agosto de 2025.' — Foto: REUTERS/Kevin Lamarque

O que está em jogo

Antes da reunião, Zelensky insistiu que não aceitará ceder território e que qualquer acordo precisa ser acompanhado de garantias internacionais semelhantes às do Artigo 5 da Otan, que prevê defesa coletiva em caso de ataque. “A linha de frente é agora o lugar onde essas negociações podem começar”, disse o presidente ucraniano neste domingo.

Trump, por sua vez, declarou no fim de semana que houve “grandes progressos” em sua conversa com Vladimir Putin, no Alasca. Segundo o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, o presidente russo teria sinalizado abertura para discutir garantias de segurança no modelo da Otan, algo descrito como “transformador” — mas sem detalhes sobre os termos.

Esboço da proposta russa

Diplomatas ressaltam que o esboço não é um acordo formal, mas indica a tentativa russa de consolidar ganhos militares e políticos obtidos desde 2022. Para Zelensky, qualquer concessão desse tipo significaria abrir mão da soberania ucraniana.

Europa tenta cortejar Trump

O encontro em Washington também é interpretado como uma tentativa europeia de cortejar Trump após a cúpula realizada no Alasca, na última sexta-feira. Na ocasião, Putin conseguiu convencê-lo a abandonar a exigência de um cessar-fogo imediato e reforçou demandas que já eram conhecidas: anexação de territórios, desarmamento ucraniano e retirada de sanções.

Segundo o jornal americano "The New York Times", Trump e Putin chegaram a discutir a cessão completa de Donetsk e Lugansk à Rússia, incluindo áreas que não estão sob ocupação militar. Zelensky sempre rejeitou a ideia, mas admitiu no domingo, em Bruxelas, que pode negociar sobre as terras já controladas por tropas russas.

O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, também reconheceu que Kievm na prática, provavelmente terá que aceitar a perda de territórios, ainda que isso não seja reconhecido formalmente no âmbito jurídico internacional.

Próxima etapa pode ser cúpula tripartite

Segundo analistas em Berlim, Bruxelas, Londres e Paris, se a reunião desta segunda avançar, Trump pretende organizar uma “cúpula tripartite” com Ucrânia e Rússia já nesta sexta-feira (22). O "The New York Times" informou que Putin prometeu participar, mas somente se Kiev aceitar renunciar a determinados territórios antes.

O presidente russo, no entanto, continua retratando Zelensky como ilegítimo. Para diplomatas europeus, há dúvidas se Putin realmente topará dividir a mesa com o ucraniano ou se continuará a ganhar tempo para consolidar seus avanços militares. 

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