JOGO ABERTO COM JOTTA JUNIOR
A política brasileira tem um talento extraordinário para criar cortinas de fumaça.
Enquanto milhões de brasileiros discutem diariamente ideologias, costumes, polarização, direita, esquerda e guerras culturais nas redes sociais, uma pergunta muito mais relevante permanece sem resposta:
Quem está discutindo os grandes escândalos que movimentam bilhões de reais e afetam diretamente a credibilidade das instituições nacionais?
O caso Banco Master talvez seja o melhor exemplo.
Apontado por diversas investigações como um dos maiores escândalos financeiros da história recente do país, o caso expôs algo que muitos brasileiros já desconfiavam: o poder econômico raramente anda sozinho em Brasília.
Toda grande estrutura financeira possui conexões políticas.
Toda grande articulação política possui interesses econômicos.
E quando esses dois universos se encontram, a sociedade tem o direito de fazer perguntas.
O que chama atenção não é apenas a dimensão do escândalo.
O que chama atenção é o silêncio.
Onde estão os discursos inflamados?
Onde estão as sessões extraordinárias?
Onde estão os vídeos indignados publicados diariamente nas redes sociais?
Curiosamente, parte da classe política parece muito mais confortável debatendo temas ideológicos do que explicando relações, articulações e interesses que envolvem bilhões de reais.
A Câmara dos Deputados, sob a presidência de Hugo Motta, e o Senado Federal, presidido por Davi Alcolumbre, possuem hoje enorme responsabilidade institucional.
O país espera transparência.
O país espera respostas.
O país espera fiscalização.
Mas até agora a percepção predominante é de cautela excessiva diante de um caso que deveria mobilizar todo o sistema político nacional.
Em paralelo, a situação revela outra reflexão importante para Rondônia.
Nossos dois senadores mais identificados com o campo conservador, Marcos Rogério e Jaime Bagattoli, conquistaram espaço nacional defendendo pautas ideológicas que encontram eco em parcela significativa da população.
Mas uma pergunta precisa ser feita.
Quanto desse capital político foi convertido em resultados estruturantes para Rondônia?
A BR-364 continua sendo um desafio.
A logística continua sendo um desafio.
A industrialização continua sendo um desafio.
A competitividade do estado continua sendo um desafio.
O produtor rural continua enfrentando dificuldades históricas.
Os gargalos permanecem.
Enquanto isso, Brasília segue produzindo debates que geram milhões de visualizações, mas poucos quilômetros de asfalto.
A verdade é que nenhum investidor escolhe um estado porque gostou de um discurso ideológico.
Ele escolhe porque existe infraestrutura.
Porque existe segurança jurídica.
Porque existe planejamento.
Porque existe previsibilidade.
No fim das contas, a política que transforma a vida das pessoas não é a que produz mais barulho.
É a que entrega resultados.
E talvez esteja chegando a hora de os brasileiros cobrarem menos discursos para a internet e mais explicações sobre aquilo que realmente movimenta o poder em Brasília.
Porque o futuro de Rondônia não será decidido pelas guerras culturais.
Será decidido pela capacidade de suas lideranças trazerem investimentos, infraestrutura e desenvolvimento para quem trabalha e produz.
E isso, até agora, continua sendo a pergunta mais importante de todas.
Jotta Junior



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