
A 1ª Vara de Tóxicos da comarca de Porto Velho condenou, nesta quarta-feira (2), integrantes de uma organização criminosa investigada pela Operação Puritas, deflagrada para desarticular um esquema de transporte interestadual de grandes quantidades de cocaína e lavagem de dinheiro.
A decisão analisou uma denúncia do Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO) que envolvia 25 réus e 11 crimes. Entre os condenados estão apontados como integrantes da estrutura principal do grupo, que, conforme as provas analisadas no processo, movimentou mais de 1,2 tonelada de cocaína pura entre 2022 e 2024.
Segundo a sentença, a organização mantinha uma estrutura permanente para transportar os carregamentos de drogas de Porto Velho (RO) até Fortaleza (CE). Para garantir o funcionamento da rota, os integrantes utilizavam ainda pontos de apoio nos estados de Mato Grosso, Pará e Maranhão.
A sentença descreve uma estrutura com funções distribuídas entre os integrantes. Um dos réus foi apontado como responsável pela liderança do grupo em Rondônia.
Segundo as provas analisadas pela Justiça, ele participava das negociações dos carregamentos, efetuava pagamentos, disponibilizava veículos adaptados para o transporte dos entorpecentes e providenciava armas e munições. O investigado também administrava contas bancárias utilizadas pela organização criminosa.
Outros integrantes tinham como função transportar os carregamentos e garantir a segurança das cargas durante os deslocamentos.
Um dos condenados acabou preso em flagrante em Vilhena, no sul de Rondônia, quando transportava aproximadamente 500 quilos de cocaína. Durante a abordagem, também foi localizada uma arma registrada em nome do apontado líder da organização.
Outro integrante condenado atuava em viagens de apoio pelo Pará, seguindo orientações dos responsáveis pela operação que, segundo a investigação, mantinham articulações entre Rondônia e Ceará.
Além do tráfico interestadual, a investigação identificou mecanismos utilizados para movimentar e ocultar o dinheiro obtido com a comercialização das drogas.
De acordo com a sentença, integrantes da organização utilizavam empresas de fachada e direcionavam parte dos recursos para a aquisição de imóveis de alto padrão, propriedades rurais e veículos de luxo.
Entre os bens identificados durante a investigação está uma residência localizada em condomínio fechado em Porto Velho, além de fazendas e outros patrimônios.
Os criminosos também teriam recorrido a depósitos fracionados em instituições financeiras para dificultar o rastreamento da origem dos valores.
Durante as ações policiais, um cofre foi localizado com R$ 580 mil em espécie e US$ 8.157. Conforme reconhecido na decisão judicial, o dinheiro tinha origem no tráfico de drogas.
Antes da análise das acusações, as defesas dos réus apresentaram pedidos para anular o processo e questionaram aspectos relacionados à competência da Justiça Estadual e às provas digitais utilizadas na investigação.
Os pedidos foram rejeitados pelo juiz, que reconheceu a competência da Justiça Estadual para analisar o caso e considerou válidas as provas digitais obtidas a partir de redes sociais e aplicativos de comunicação.
Com a análise do conjunto probatório, a Justiça concluiu pela responsabilização dos réus de acordo com a participação individual de cada um nas atividades criminosas.
As condenações apresentadas na sentença variam conforme a participação e a gravidade das condutas atribuídas a cada réu.
As penas vão de 3 anos de reclusão e 40 dias-multa até 45 anos, 11 meses e 5 dias de reclusão.
A decisão também determinou a perda do cargo público de policiais rodoviários federais condenados no processo.
Em relação aos policiais militares citados na investigação, a sentença estabeleceu que eventuais providências disciplinares ou criminais relacionadas aos militares deverão ser analisadas pela Justiça Militar, conforme a competência prevista para esses casos.
A decisão representa mais uma etapa do processo decorrente da Operação Puritas, que revelou uma estrutura criminosa com atuação interestadual, envolvendo transporte de grandes carregamentos de cocaína e mecanismos destinados à ocultação e movimentação dos recursos provenientes do tráfico.



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