
Crédito, Samuel Corum/Sipa/Bloomberg via Getty Images
- Author, Jaroslav Lukiv
- Author, Chris Graham
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Ele disse a repórteres na Casa Branca que Teerã "quer fazer um acordo no qual eles abram o Estreito imediatamente, porque estão perdendo feio".
Na sexta-feira (25/9), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse a repórteres na ONU, em Nova York, que um acordo poderia ser alcançado "se as condições necessárias fossem atendidas". E que essas condições constavam em um memorando de entendimento assinado pelos dois países em junho.
A via navegável vital, por onde normalmente passa cerca de um quinto do suprimento mundial de gás e petróleo, está efetivamente fechada desde a eclosão da guerra, em fevereiro.
"Estou rejeitando o acordo deles", disse Trump neste sábado, acrescentando que os EUA já tinham "controle total" do estreito, com "enormes quantidades de petróleo" passando por ele.
"Eles querem fazer um acordo, e acho isso ótimo. Eu também gosto de fazer acordos. Mas aquele acordo não seria aceitável", acrescentou.
Pouco depois, Araghchi afirmou que Teerã ainda aguarda uma resposta formal de Washington.
"Vimos a primeira reação do presidente dos EUA, mas nada nos foi transmitido pelos mediadores ainda", disse ele a jornalistas da mídia estatal iraniana nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, em declaração reproduzida em seu canal oficial no Telegram.
"O presidente dos EUA fez muitas declarações boas e também contraditórias, o que infelizmente se ouve muito dele. Estamos esperando que as posições definitivas nos sejam transmitidas pelos mediadores, e tomaremos uma decisão com base nisso."
Araghchi reiterou que a reabertura do estreito continua condicionada às exigências definidas pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã.
Na sexta-feira, o Wall Street Journal, citando autoridades, disse que Trump estava cético quanto à possibilidade de o Irã atender às suas exigências e havia dito à sua equipe que considerava provável uma nova campanha de bombardeios.
O Irã reagiu aos ataques aéreos dos EUA e de Israel — iniciados no final de fevereiro — atacando Israel, bases dos EUA no Golfo e aliados dos EUA na região do Golfo, além de bloquear o Estreito de Ormuz. Esse fechamento provocou fortes oscilações nos preços de energia.
A proposta iraniana previa um cessar-fogo de sete dias, a reabertura do Estreito de Ormuz e a retomada das negociações sobre o programa nuclear em troca da suspensão, pelos EUA, do bloqueio aos portos iranianos, que vem causando graves danos à economia do país.
A crise energética também aumentou a pressão sobre Trump para que encontre uma maneira de pôr fim ao conflito, especialmente porque os EUA se preparam para as eleições para o Congresso em novembro.
No entanto, um funcionário americano disse à BBC que os EUA estão "em uma posição muito forte, com o controle do Estreito de Ormuz, então não temos pressa".
Em entrevista à CBS News, parceira da BBC nos EUA, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que o processo de cessar-fogo "começará no mesmo dia em que for aceito".
"Já tínhamos chegado a um acordo com base no memorando de entendimento assinado no Paquistão... se os Estados Unidos concordarem em prosseguir dessa forma, tudo voltará a ser como era antes", acrescentou.
Pezeshkian também afirmou que o Irã permitiria a entrada de inspetores nucleares da ONU no país caso os EUA aceitem a proposta.
Rejeitando as alegações de que o Irã está tentando desenvolver uma arma nuclear, o presidente iraniano disse: "Se eles desejarem entrar e fazer inspeções, podemos chegar a acordos e entendimentos sobre esse tema específico dentro das negociações."

O memorando de entendimento entre os EUA e o Irã, assinado em 18 de junho, tinha como objetivo estabelecer um cessar-fogo e reabrir, pelo menos parcialmente, o Estreito de Ormuz.
O acordo de 14 pontos afirmava que o Irã jamais teria uma arma nuclear. Nele, constava que os EUA, o Irã e seus aliados encerrariam as operações militares em "todas as frentes" e continha disposições que incluíam o fim do bloqueio naval americano e o alívio das sanções.
O comunicado também afirmou que o Irã "faria todos os esforços para garantir a passagem segura de embarcações comerciais" pelo estreito e manteria conversas com Omã sobre futuros acordos de navegação.
Mas o acordo desmoronou pouco tempo depois, quando ambos os lados retomaram os ataques.
O Irã atacou embarcações que, segundo o país, tentaram cruzar o Estreito de Ormuz sem autorização.
Os EUA atacaram instalações iranianas no estreito, bem como petroleiros iranianos ao largo da costa do país. Também mantiveram um bloqueio aos portos iranianos, causando enormes perturbações à economia do Irã.
Desde então, Trump afirmou que os EUA tiveram sucesso em extrair petróleo pelo Estreito de Ormuz.
Dados de transporte marítimo mostram uma média de cerca de 18 travessias por dia nos últimos 10 dias, com números diários chegando a cair para apenas nove embarcações em certos dias, de acordo com a Kpler, uma empresa de dados e análises de commodities citada pela Reuters.
No entanto, os houthis do Iêmen - aliados do Irã - intensificaram recentemente os ataques com o objetivo de interromper as exportações de petróleo da Arábia Saudita através do Mar Vermelho, do outro lado da península Arábica.
O grupo tomou o controle de grandes trechos estrategicamente importantes da costa do Mar Vermelho em uma rápida ofensiva neste mês, incluindo o porto de Mokha, que tem vista para o Estreito de Bab al-Mandab, outro ponto de estrangulamento para a navegação global.

Crédito, Reuters
A situação foi agravada pelos ataques dos houthis às instalações petrolíferas sauditas. A imprensa americana noticiou que o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, solicitou apoio militar a Trump.
No sábado, a coalizão liderada pela Arábia Saudita no Iêmen afirmou ter interceptado dois mísseis balísticos e drones lançados pelos houthis em direção à Arábia Saudita.
Durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU esta semana, Trump disse acreditar que um acordo com o Irã, que até agora lhe escapou, seria fechado logo após as eleições de novembro.
"Será possível chegar a um acordo com o Irã que lhes permita reconstruir e criar um país muito maior do que jamais foi?", questionou ele.
"Ou devo aniquilar a República Islâmica rapidamente, sem nunca mais lhes dar a chance de matar e destruir pessoas e países? Devo mandá-los para o inferno?"
Na sexta-feira, Araghchi afirmou que o Irã não aceita "coerção, ameaças ou intimidação" e acrescentou que "a paz não pode ser construída por meio de ameaças de aniquilação".
- Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).








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