O peso do agro na urna explica a geografia do voto no 1º turno, segundo economista da Universidade de Londres

O peso do agro na urna explica a geografia do voto no 1º turno, segundo economista da Universidade de Londres

 

Três homens sem camisa, dois deles com chapéu de boiadeiro, seguram uma bandeira verde e amarela com Jair Bolsonaro no centro em cima de uma caminhonete.
Legenda da foto,Para Fernando Rugitsky, a explosão da soja e da pecuária em todo o interior do Brasil alavancou as bases para o surgimento do agro-bolsonarismo
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Ao longo desta eleição, as pesquisas eleitorais repetiram algumas tendências. Uma delas foi o favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Nordeste, onde o petista construiu uma base eleitoral sólida por meio de programas sociais.

O resultado do domingo (4/10) confirmou essa tendência. Embora o presidente tenha perdido parte do eleitorado nordestino, essa foi a única região onde ele liderou, com 63,77% dos votos ante 30,85% de Flávio Bolsonaro (PL).

"Por causa dessa base, o PT ganhou cinco das últimas seis eleições para o governo federal", diz Fernando Rugitsky, economista e pesquisador do departamento de Economia da Faculdade de Estudos Orientais e Africanos (SOAS, na sigla em inglês) da Universidade de Londres.

"Essa base era muito difícil de ser enfrentada por um projeto político sem um enraizamento tão significativo no território."

Mas para ele, se o Nordeste é lulista, outra força eleitoral foi capaz de equilibrar a disputa, que é o que ele chama de "agro-bolsonarismo", presente na Amazônia e, em especial, nas fronteiras agrícolas do Centro-Oeste, onde Flávio teve 56,51% dos votos, e Lula, 32,62%.

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