Moradores saqueiam armazéns em busca de comida em Gaza — Foto: MOHAMMED ABED / AFP
1 de 3 Moradores saqueiam armazéns em busca de comida em Gaza — Foto: MOHAMMED ABED / AFP

Moradores saqueiam armazéns em busca de comida em Gaza — Foto: MOHAMMED ABED / AFP

Em conversas com governantes do Egito e de Israel, neste domingo (29), o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, defendeu um aumento "no fluxo de assistência humanitária" na Faixa de Gaza, após centros de distribuição de alimentos da ONU serem saqueados.

Há três semanas, desde que a guerra começou, Israel mantém Gaza sob bloqueio e impede a entrega de ajuda humanitária. Nos últimos dias, algumas dezenas de caminhões puderam entrar pelo sul, na fronteira com o Egito, mas a ajuda é insuficiente para atender aos milhares de desabrigados que tiveram que se deslocar no território palestino devido aos bombardeios.

Faltam água potável, comida, remédios e energia. Israel teme que parte da ajuda possa ser desviada e vá parar nas mãos do Hamas, especialmente combustível. Enquanto isso, hospitais operam no limite da capacidade, alimentados por geradores que dependem justamente do escasso combustível.

Neste domingo, a ONU alertou para um possível 'colapso da ordem social' após depósitos mantidos pela entidade serem saqueados por palestinos que buscavam comida.

Segundo a ONU, pelo menos 40 caminhões com suprimentos seriam necessários diariamente para atender às necessidades alimentares da Faixa de Gaza.

Palestinos recorrem à água do mar devido ao corte no abastecimento imposto por Israel em Gaza — Foto: Mohammed Dahman/AP

Conversas de Biden

Em conversa por telefone neste domingo, Biden disse ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que Israel precisa defender seus cidadãos do terrorismo de uma maneira que proteja os civis de Gaza.

O Hamas, que controla Gaza, disse que há mais de 8 mil mortos. Esse número não foi verificado por entidades independentes. Do lado israelense, há cerca de 1.400 mortos. Além disso, 239 reféns sequestrados em Israel seguem em poder do Hamas.

Biden falou também com o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, e se comprometeu a acelerar a ajuda humanitária e a impedir que o conflito não se expanda na região.

Horas após a notícia da conversa entre os líderes americano e egípcio, Musa Abu Marzouk, um alto dirigente do Hamas, pressionou o Egito, em nota. "O Egito não deve permanecer como espectador e se contentar em autorizar a entrada de ajuda em Gaza", diz o texto. "Esperamos uma postura decisiva por parte do Egito, que permita a entrada de ajuda em Gaza o quanto antes."

Palestinos fazem fila para conseguir um pouco de pão em Rafah, no sul de Gaza — Foto: Hatem Ali/AP