Declaração do presidente foi dada durante recepção dos repatriados, que vieram do Egito e desembarcaram na Base Aérea de Brasília.

Por g1 — Brasília

  • Presidente criticou a violência durante o conflito entre Israel e a Faixa de Gaza, equiparando as ações de Israel às do grupo terrorista Hamas.

  • Lula mencionou a brutalidade do conflito, destacando o elevado número de crianças mortas, assim como a destruição de infraestruturas essenciais.

  • A Confederação Israelita do Brasil considerou as declarações de Lula equivocadas e afirmou que Israel tem feito esforços para evitar danos civis.

  • Um grupo de 32 pessoas, incluindo brasileiros e palestinos, chegou a Brasília na noite de segunda, após decolar do Cairo e fazer paradas em Las Palmas e Recife.

  • Repatriados devem ser distribuídos por diferentes estados brasileiros, com alguns indo para abrigos e outros ficando com familiares.

Lula recebe repatriados de Gaza em Brasília

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"Aos 78 anos de idade, eu já vi muita brutalidade, muita violência, eu já vi muita irracionalidade. Mas eu nunca vi uma violência tão bruta, tão desumana contra inocentes. Porque se o Hamas cometeu um ato de terrorismo e fez o que fez, o estado de Israel também está cometendo vários atos de terrorismo ao não levar em conta que as crianças, ao não levar em conta que as mulheres não estão em guerra, ao não levar em conta que eles não estão matando soldados", afirmou Lula.

Na ocasião, o presidente citou ainda que já são 5 mil crianças mortas e 1.500 desaparecidas. "Certamente [as crianças desaparecidas] estão no meio dos escombros. E, depois, a destruição de tudo que as pessoas levam décadas para construir uma casa, uma rua, um prédio, uma escola, um hospital... e depois uma simples bomba detona aquilo", acrescentou Lula.

Horas antes desse pronunciamento, em um evento em Brasília, o presidente já tinha sido bastante crítico a Israel. A Confederação Israelita do Brasil, então, publicou uma nota em que considerou a declaração de Lula equivocada.

"A fala hoje do presidente Lula equiparando as ações de Israel ao grupo terrorista Hamas é equivocada e perigosa. Desde o começo dessa trágica guerra, provocada pelo mais terrível massacre contra judeus desde o holocausto, Israel vem fazendo esforços visíveis e comprovados para poupar civis palestinos, pedindo que eles se desloquem para áreas mais seguras, criando corredores humanitários, avisando a população da iminência de ataques", dizia o comunicado da Confederação Israelita do Brasil.

Em outro trecho, a nota afirmava que o Hamas "se esconde cínica e covardemente atrás das mulheres e crianças de Gaza". "A morte desses civis palestinos é uma arma importante da estratégia do Hamas, uma estratégia que o próprio grupo terrorista reconhece que pratica", afirmou a Confederação.

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No grupo dos 32 repatriados, além de 22 cidadãos brasileiros (natos ou naturalizados), há 10 palestinos – três parentes de primeiro grau de brasileiros, e sete portadores do Registro Nacional de Migração (RNM) que devem receber status de refugiados. Eles estavam no Sul da Faixa de Gaza, nas cidades de Khan Younis e Rafah.

A saída de Gaza começou na manhã deste domingo (12), quando o grupo se deslocou para o controle migratório palestino da região. Depois, de acordo com informações do Itamaraty, os brasileiros saíram do local e seguiram para a estação do Egito (2 km de percurso de ônibus).

Lá, foram recepcionados pela equipe da embaixada do Brasil no Cairo e submetidos aos trâmites migratórios de entrada naquele país.

Após passar pela imigração, os brasileiros almoçaram e depois seguiram viagem para o Cairo, capital do Egito. O transporte foi feito em veículos contratados pela embaixada do Brasil no Egito e durou cerca de seis horas.

A aeronave da FAB aguardava a chegada dos brasileiros em uma base aérea localizada próximo ao Cairo. Após passarem a noite em um hotel no Cairo, os brasileiros embarcaram para o Brasil na manhã desta segunda.

O avião fez duas paradas técnicas, uma em La Palma, na Espanha, e outra já em solo brasileiro, em Recife, capital pernambucana.

Abrigo no Brasil

O grupo de 32 pessoas que chegou em Brasília deve se dividir por quatro estados e o Distrito Federal após passarem pelo menos um dia no alojamento da Base Aérea de Brasília recebendo cuidados médicos e regularizando a documentação. De acordo com o secretário nacional de Justiça, Augusto Botelho, eles devem se dividir da seguinte forma:

  • 4 têm família em Brasília e ficarão no DF
  • 12 ficarão com as famílias no estado de São Paulo
  • 12 que não têm mais familiares no Brasil ficarão em abrigo no interior de São Paulo
  • 2 vão para Florianópolis (SC)
  • 1 vai para Cuiabá (MT)
  • 1 vai para Novo Hamburgo (RS)