Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou no dia 24 de agosto de 2023 — Foto: Sputnik/Mikhail Klimentyev/Kremlin via REUTERS
1 de 1 Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou no dia 24 de agosto de 2023 — Foto: Sputnik/Mikhail Klimentyev/Kremlin via REUTERS

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou no dia 24 de agosto de 2023 — Foto: Sputnik/Mikhail Klimentyev/Kremlin via REUTERS

Vladimir Putin, de 71 anos, decidiu concorrer às eleições presidenciais de março, uma medida que o manterá no poder até pelo menos 2030. O chefe do Kremlin acredita que deve presidir a Rússia durante o período mais perigoso em décadas, disseram seis fontes à Reuters.

Putin, que assumiu o posto de Boris Yeltsin no último dia de 1999, é presidente por mais tempo do que qualquer outro governante russo desde Josef Stalin, superando até mesmo o mandato de 18 anos de Leonid Brezhnev.

As fontes, que falaram à Reuters sob condição de anonimato devido à sensibilidade da política do Kremlin, disseram que conselheiros estavam se preparando para a reeleição de Putin.

O presidente russo afirma que 80% da população aprova o seu governo. Além disso, afirma que sua candidatura terá o apoio do Estado, dos meios de comunicação estatais e quase ninguém será contra o seu governo — então ele acredita que vencerá a eleição.

“A decisão foi tomada – ele concorrerá”, disse uma das fontes. O anúncio oficial deve ser realizado nas próximas semanas, disse uma fonte ao jornal russo Kommersant no mês passado.

Outras quatro fontes também confirmaram a candidatura de Putin.

Embora muitos diplomatas esperem que Putin permaneça no poder para o resto da vida, até agora não confirmaram seus planos de concorrer às eleições presidenciais de março de 2024.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, não quis comentar. Peskov disse em setembro que se Putin decidisse concorrer, ninguém seria capaz de competir com ele.

Rússia em guerra

Embora Putin possa não enfrentar qualquer concorrência real nas eleições, o antigo espião do KGB enfrenta o mais sério conjunto de desafios que qualquer chefe do Kremlin enfrentou desde que Mikhail Gorbachev lutou com a desmoronada União Soviética, há mais de três décadas.

A guerra na Ucrânia desencadeou o maior confronto com o Ocidente desde a crise dos mísseis cubanos de 1962; As sanções ocidentais provocaram o maior choque externo à economia russa em décadas; e Putin enfrentou um motim fracassado do mercenário mais poderoso da Rússia, Yevgeny Prigozhin, em junho.

O Ocidente classifica Putin como um criminoso de guerra.

Beco sem saída

Para alguns russos, porém, a guerra mostrou como a Rússia está fragmentada desde a era pós-soviética.

O político da oposição russa preso, Alexei Navalny, por exemplo, diz que Putin conduziu a Rússia a um beco sem saída estratégico rumo à ruína, construindo um sistema frágil de corruptos, que acabará por instaurar o caos.

“A Rússia está prestes a retroceder”, disse Oleg Orlov, um dos mais respeitados ativistas dos direitos humanos na Rússia, à Reuters em julho. "Saímos do totalitarismo comunista, mas agora regressamos a um tipo diferente de totalitarismo."

Estima-se que milhares de soldados russos e ucranianos morreram ou ficaram feridos em pouco mais de um ano e meio de guerra — o número é maior do que outras guerras que a Rússia participou.