queda de raios — Foto: Reprodução/EPTV
1 de 2 queda de raios — Foto: Reprodução/EPTV

Ao g1, ela contou que estava encostada no balcão da cozinha quando ouviu um barulho muito alto. O dia tinha sido bem chuvoso, mas no momento do incidente, não chovia forte ou trovejava.

“Eu achei que o fogão tinha explodido. Deu um estrondo muito grande e saí correndo. Quando olhei pro meu pé, eu vi saindo todo o raio pelo meu pé”, relembra.

Qual a probabilidade de ser atingido por um raio

A probabilidade média de uma pessoa ser atingida por um raio no Brasil, ao longo de toda a sua vida, é de um em 25 mil, considerando uma expectativa de vida em torno de 75 anos, segundo o Grupo do INPE.

"Embora pareça pequena, essa chance pode ser muito maior dependendo da circunstância que a pessoa se encontra durante uma tempestade e pode chegar a uma probabilidade semelhante a de morrer participando de uma corrida de moto da ordem de um em mil."

As estatísticas mostram também que a cada 50 mortes por raios no mundo, uma é no Brasil, o país é campeão mundial em incidência de raios, atingido por 78 milhões de descargas atmosféricas por ano. Em média o fenômeno mata no país 110 pessoas, deixa mais de 200 feridos e causa, a cada ano, prejuízos de um bilhão de reais. No ranking de fatalidades causadas por raios de países com estatísticas confiáveis, o Brasil perde para o México e é o segundo na América Latina com o maior número de mortes.

Em que época do ano os raios matam mais?

43% das mortes por raios ocorreram no verão e 33% durante a primavera. Esses são os períodos do ano em que as altas temperaturas e umidade do ar favorecem a formação de tempestades e raios. Mas as fatalidades também acontecem durante o outono, com registro de 16% e o inverno, com 8%.

O que fazer para se proteger?

O ELAT revela que os raios podem acontecer pouco antes da chuva começar ou no estágio final da tempestade. Portanto, é ideal buscar um abrigo assim que identificar nuvens carregadas no céu ou escutar um trovão. Deve-se evitar sair para lugares abertos, ou entrar na água de mar, rio ou piscina imediatamente após a chuva.

Caso esteja ao ar livre, evite:

  • Caminhar em áreas descampadas, como terreno baldio, cemitério e canteiro de obra;
  • Caminhar ou ficar parado em rodovias, ruas ou estradas;
  • Subir em locais altos, como telhados, terraços e montanhas;
  • Ficar próximo a varal de metal, antena ou portão de ferro.
  • Continuar jogando futebol ou permanecer no campo;

O que não fazer sobre riscos de tempestades em praias, rios e piscina:

  • Permanecer dentro da água;
  • Caminhar às margens da água na faixa de areia, calçadão, beira de rio ou piscina;
  • Permanecer embaixo de guarda-sol, tendas e quiosques;
  • Ficar próximo a embarcações atracadas;
  • Realizar atividades de pesca navegando em embarcações ou na beira da água.

Como não sofrer uma descarga elétrica de um raio dentro de casa?

Embora durante uma tempestade seja mais seguro estar dentro de casa do que ao ar livre, essa é segunda circunstância em que mais morrem pessoas por raios no Brasil, com 21% das fatalidades, segundo o INPE. Para se proteger, evite:

  • Utilizar equipamentos elétricos ligados à rede elétrica ou ficar perto de tomadas;
  • Falar ao telefone com fio ou utilizar celular conectado ao carregador;
  • Tomar banho em chuveiro elétrico;
  • Ficar próximo a janelas e portas metálicas;
  • Ficar próximo à rede hidráulica (torneiras e canos).

Na área rural

A atividade agropecuária concentra a maior parte das mortes causadas por raios no Brasil: 26% dos casos. Ao perceber as nuvens carregadas, evite:

  • Colher frutas, abrigar-se ou caminhar perto de árvores;
  • Ficar próximo a animais ou andar a cavalo;
  • Ficar próximo a cerca de arame;
  • Carregar ou ficar próximo a objetos metálicos pontiagudos, como enxadas, pás e facões;
  • Ficar próximo de veículos, como tratores, carros ou dentro de carroceria de caminhão;
  • Abrigar-se em áreas cobertas, que protegem da chuva, mas não dos raios, como varandas, barracos e celeiros.

As opções mais seguras de abrigos são:

  • Um veículo não conversível com as portas e janelas fechadas, evitando contato com a lataria;
  • Moradias ou prédios, mantendo distância das redes elétrica, telefônica e hidráulica, de portas e janelas metálicas;
  • Abrigos subterrâneos, tais como metrôs ou túneis.

E se não houver nenhum abrigo seguro por perto?

Afasta-se de qualquer ponto mais alto e de objetos metálicos, mantenha os pés juntos e agacha-se até a tempestade passar. Não fique deitado. Embora não seja uma posição confortável, nesse caso é a opção mais segura.