Dessa vez, a defesa de dois dos 10 réus chegou a requerer a redesignação da data do julgamento, alegando que os peritos do caso não encaminharam os esclarecimentos solicitados pelos advogados.

O Ministério Público também apontou que os laudos complementares feitos pelos profissionais não foram juntados ao processo e que não havia informação de que sequer haviam sido elaborados.

No entanto, a juíza Patrícia Campos, presidente da 3ª Vara do Tribunal do Júri de Manaus, não acatou os pedidos formulados pelas partes. Segundo ela, se as perícias eram tão importantes para ambas as partes, as mesmas deveriam ter sido requisitadas antes e não às vésperas do julgamento.

"Os autos tramitam desde 2016, mas somente neste momento, em 2024, passadas inúmeras etapas procedimentais, o Ministério Público e as defesas entendem pela enorme relevância dos laudos complementares", apontou a magistrada.

Em uma decisão interlocutória proferida na sexta-feira (26), a juíza manteve o julgamento para esta segunda e disse que se as partes não concordarem que ingressem com o recurso cabível.

'Caso Grande Vitória'

Alex Júlio Roque de Melo, de 25 anos, Ewerton Marinho, 20, e Rita de Cássia, 19, desapareceram no dia 29 de outubro de 2016, após serem abordados por policiais militares no Grande Vitória, enquanto voltavam de uma festa.

Imagens de câmeras de vigilância da área registraram o momento que os policiais mandaram o trio entrar no carro da PM. Desde então, os jovens nunca mais foram vistos.

À época, o g1 ouviu a cunhada de Rita, que não quis se identificar. Ela contou que a jovem voltava de um pagode no São José de carona com os dois rapazes desaparecidos.

Weverton pilotava a moto quando houve a abordagem. Segundo a esposa dele, Andresa Andrade, de 19 anos, o marido estava desempregado há pouco tempo. Ele trabalhava como frentista e comprou o veículo com o FGTS. “De vez em quando, fazia corridas, e deu carona para os dois”, relatou a esposa.

No dia do desaparecimento, moradores do bairro fizeram grande manifestação e entraram em confronto com a polícia. Eles chegaram a atear fogo em madeiras e incendiaram um veículo. A PM teve que conter os manifestantes com balas de borracha.

Sete anos após o crime, os corpos das vítimas não foram encontrados.