Indígenas Yanomami, em território localizado entre Roraima e Amazonas. — Foto: GETTY IMAGES
1 de 5 Indígenas Yanomami, em território localizado entre Roraima e Amazonas. — Foto: GETTY IMAGES

Desde o início da competição, alguns participantes do BBB, como Rodriguinho, têm usado o termo 'índia' para identificar Isabelle.

Após o programa de quinta, a amazonense chamou a atenção do cantor, alertando sobre o uso do termo: "Índio era quando o colonizador chegou no Brasil e quis falar que nós parecíamos o povo da Índia", explicou.

Ao g1, o etnolinguista Renato Régis também explicou que a palavra se tornou ofensiva pela forma como as pessoas a utilizavam para identificar os povos tradicionais no passado.

"Na visão linguística, que é a explicação mais estendida, já que a linguística estuda os fenômenos da língua, não devemos usar o termo 'índio' ou 'índia' porque se tornou pejorativo. As pessoas começaram a usar essa palavra como algo ofensivo, como ocorreu com a Isabelle, no BBB", explicou.

Indígenas Suruwahá, no Amazonas. — Foto: Sebastião Salgado

Segundo o especialista, é preciso substituir a palavra "índio" por expressões, como, "povos indígenas", "povos tradicionais" ou mesmo "povos ancestrais". "Uma pessoa que não conhece a cultura ancestral não pode sair por aí falando que fulano é índio, que fulana é índia. É preciso levar em consideração a cultura do povo, acima de tudo. Por isso ela explicou para o Rodriguinho", afirmou.

O etnolinguista também falou sobre como a figura de Isabelle no reality ajuda o público a entender e a conhecer mais sobre a cultura do Norte do país.

"Quando ela explicou sobre a figura da cunhã-poranga, que é a indígena guerreira, ela colocou no sentido de respeitar a ancestralidade. Ela bate muito nessa tecla e isso é muito importante, assim como todas essas expressões do chamado 'amazônes', que ela está fazendo o Brasil conhecer", finalizou.

Quem é Isabelle Nogueira

Isabelle Nogueira como cunhã-poranga do Boi Garantido — Foto: Michael Dantas

Natural de Manaus, capital do Amazonas, Isabelle Nogueira tem 31anos, é formada em Letras e chegou a dar aulas, mas hoje trabalha como dançarina e influenciadora digital no Amazonas.

Em uma roda de conversa formada pelos "brothers" na noite de terça-feira (9), Isabelle contou um pouco da sua história de vida. A amazonense relembrou a infância mais solitária e a história de luta da mãe para criá-la.

Em relato aos companheiros de confinamento, Isabelle disse que a mãe engravidou quando tinha 13 anos de idade.

"Começou ali uma criação realmente atípica. Ela trabalhava e eu ficava muito sozinha desde bebê. Eu tenho recordação minhas de 5 e 6 anos muito sozinha, chuva, eu chorava sozinha, então eu cresci muito sozinha. Essa é a grande verdade, muito eu por mim mesma", disse.

Isabelle Nogueira e o Boi Garantido — Foto: Reprodução/redes sociais

A manauara lembrou também que a paixão pelo boi-bumbá foi passada de mãe para filha. Em meio ao cotidiano corrido de estudos e trabalhos, ainda que muito nova, ela acompanhava a mãe nas festas.

"Eu lembro de mim assim, 5 ou 6 anos de idade, dormindo nas festas da nossa cultura. Minha mãe me levava com ela para as festas, até que eu comecei a fazer dinheiro com isso. Fazia 20 ou 30 reais dançando", contou Isabelle.

Atualmente, a manauara é conhecida no Amazonas como cunhã-poranga do Boi Garantido, o boi vermelho e branco do Festival Folclórico de Parintins.

"Já danço há 17 anos de forma profissional no Brasil inteiro, levando a cultura do meu povo, e no boi-bumbá Garantido há 10 anos", explicou aos "brothers".