Com os resultados, o IPCA-15 acumulou 4,47% na janela de 12 meses.

O índice de janeiro ficou abaixo da expectativa do mercado financeiro, que esperava alta de 0,47% no mês. Mas números dos núcleos de inflação chamaram atenção dos especialistas. (veja mais abaixo)

Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, sete tiveram alta em janeiro. O destaque absoluto foi o grupo de Alimentação e bebidas, que subiu 1,53% no mês. Houve uma forte aceleração contra o mês anterior (0,54%), o que trouxe impacto no índice geral de 0,32 ponto percentual (p.p.).

A Alimentação no domicílio, subgrupo que mede os preços de alimentos in natura, teve uma alta expressiva no mês, de 2,04%, contra 0,55% em dezembro. Batata-inglesa (25,95%), tomate (11,19%), arroz (5,85%), frutas (5,45%) e carnes (0,94%) foram os destaques de alta.

Já a Alimentação fora do domicílio teve uma desaceleração, de 0,53% em dezembro para 0,24% neste mês. A refeição subiu 0,32%, enquanto o lanche teve alta de 0,16%.

Veja abaixo a variação dos grupos em janeiro

  • Alimentação e bebidas: 1,53%;
  • Habitação: 0,33%;
  • Artigos de residência: 0,26%;
  • Vestuário: 0,22%;
  • Transportes: -1,13%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,56%;
  • Despesas pessoais: 0,56%;
  • Educação: 0,39%;
  • Comunicação: -0,03%.

Transportes com a maior deflação

O grupo Transportes registrou deflação em janeiro, com alívio no preço das passagens aéreas e combustíveis. O grupo registrou queda de 1,13% no mês, e teve contribuição negativa no índice geral, de -0,24 p.p.

As passagens aéreas, que haviam sido o destaque positivo do mês anterior, registraram o maior impacto deflacionário no IPCA-15. Com recuo de 15,24% no mês, tiveram impacto negativo de -0,16 p.p. no índice.

Os combustíveis, subgrupo que ajudou a elevação de preços nos últimos meses, também teve um recuo importante, de 0,63%. Caíram os preços do etanol (-2,23%), do óleo diesel (-1,72%) e da gasolina (-0,43%). Apenas o gás veicular registrou alta, de 2,34%.

Nos demais grupos, há destaque em Saúde e cuidados pessoais (0,56%), que teve alta novamente influenciada pelo plano de saúde (0,77%). Itens de higiene pessoal (0,58%) também subiram, com influência do desodorante (1,57%), do produto para pele (1,13%) e do perfume (0,65%).

Já em Habitação (0,33%), houve baixa da energia elétrica residencial (-0,14%). Segundo o IBGE, foram incorporadas alterações nas alíquotas de ICMS em Recife (1,56%), Fortaleza (-0,18%) e Salvador (-3,89%), desde 1º de janeiro, além de apropriação residual do reajuste de -1,41% nas tarifas de uma das concessionárias pesquisadas em Porto Alegre (0,32%), vigente desde novembro.

Abaixo das expectativas

O resultado cheio do IPCA-15 veio bem abaixo do que o mercado esperava, mas dentro das aberturas há sinais de alerta.

Laiz Carvalho, economista para Brasil do banco BNP Paribas, reforça que a alta na alimentação já era esperada, mas houve surpresa positiva no grupo de Transportes. Acontece que, nos núcleos de inflação usados pelo Banco Central para balizar a taxa básica de juros, há "resultados mistos".

"A média dos cinco núcleos do BC veio em 0,33%, um pouco mais baixo do que a expectativa, mas os Serviços Subjacentes vieram bem mais altos, com alta de 0,68%. É muito cedo para falar de uma reversão de tendência [do ciclo de quedas de juros], mas é um ponto de atenção para o IPCA de janeiro", diz.

"É um sinal de alerta, pois estamos com um mercado de trabalho resiliente, atividade econômica via demanda ainda positiva. É um resultado geral baixo, mas com esse risco no setor de serviços", prossegue.

Laiz não acredita que os resultados possam alterar o racional do BC para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na semana que vem. O banco espera um novo corte de 0,5 ponto percentual na Selic, levando a taxa básica de juros a 11,25% ao ano.