Simão Peixoto é prefeito de Borba.  — Foto: Reprodução/Facebook
1 de 1 Simão Peixoto é prefeito de Borba. — Foto: Reprodução/Facebook

Simão Peixoto é prefeito de Borba. — Foto: Reprodução/Facebook

A Justiça Federal no Amazonas manteve a prisão de Simão Peixoto, prefeito de Borba, alvo da Operação "Voz do Poder", que apura a manipulação de testemunhas em investigação sobre desvios de recursos públicos destinados à compra de merenda escolar no ano de 2020, durante a pandemia do Covid-19. O político se entregou à Polícia Federal na terça-feira (9).

Peixoto passou por audiência de custódia na tarde desta quarta-feira (10), mas como já havia um mandado de prisão contra ele, o ato só foi para verificar se seus direitos foram assegurados. O ato foi presidido pela juíza Ana Paula Podedworny.

Na ocasião, a magistrada também mandou que o prefeito fique detido em uma sala isolada de uma unidade prisional da capital e que a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) providencie uma dieta sem lactose para o mesmo, assim como todos os remédios de uso contínuo do político.

Enquanto isso, a prefeitura de Borba segue sem comando. A Rede Amazônica tenta contato com a administração do município para saber quem vai administrar a cidade.

Essa é a segunda detenção de Simão Peixoto em menos de um ano. Em março de 2023, ele foi preso preventivamente, pelo Gaeco, em Manaus, pelos crimes de ameaça, desacato difamação e restrição aos direitos políticos em razão do sexo, cometidos contra a vereadora Tatiana Franco dos Santo.

Operação

A Operação "Voz do Poder" teve como objetivo cumprir o mandado de prisão preventiva contra Simão Peixoto, ações da PF foram realizadas nas cidades de Borba e Manaus.

O mandado judicial expedido também inclui o afastamento do prefeito de suas funções públicas por um período de 180 dias e a execução de outras diligências necessárias para a coleta de provas.

As investigações indicam que os kits de merenda escolar fornecidos não continham ou possuíam uma quantidade muito reduzida de carne de boi, divergindo significativamente do volume contratado. Além disso, foi constatada a ausência de charque nos kits, indícios de falsificação nos recibos de entrega e possíveis pagamentos sem comprovação documental.

"A medida de prisão preventiva e o afastamento do cargo do prefeito foram solicitados após evidências de que ele conduziu uma videoconferência com servidores municipais intimados pela Polícia Federal para prestar esclarecimentos relacionados à referida investigação. Neste encontro, o prefeito teria oferecido assistência jurídica e fretamento de aeronave, custeados pela Prefeitura, o que poderia representar uma tentativa de influenciar indevidamente as testemunhas", diz a Polícia Federal.