Noboa, de 35 anos, está no cargo desde outubro de 2023.

Por g1

Presidente do Equador, Daniel Noboa, reunido com o Conselho de Segurança Pública e de Estado, em 9 de janeiro de 2024 — Foto: Reprodução/X
1 de 2 Presidente do Equador, Daniel Noboa, reunido com o Conselho de Segurança Pública e de Estado, em 9 de janeiro de 2024 — Foto: Reprodução/X

Presidente do Equador, Daniel Noboa, reunido com o Conselho de Segurança Pública e de Estado, em 9 de janeiro de 2024 — Foto: Reprodução/X

Daniel Noboa, de 35 anos, se tornou a pessoa mais jovem a ocupar o cargo de presidente do Equador após tomar posse em outubro de 2023. Nascido nos Estados Unidos, sua família é dona de um império empresarial que inclui uma das principais exportadoras de bananas do país.

Noboa é formado em universidades estrangeiras, é sommelier e gosta de carros e cavalos, segundo sua assessoria de imprensa. Seu pai, Álvaro Noboa, tentou tornar-se presidente cinco vezes, mas nunca conseguiu.

Na política, o novo presidente tem uma breve carreira como deputado, quando foi também presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, que tramitou diversos projetos de lei nas áreas econômica, tributária e de investimentos.

O grupo político de Noboa — Ação Democrática Nacional (ADN) — tem 17 das 137 cadeiras parlamentares.

Ao assumir, Noboa aliou-se ao correísmo (principal força com 51 cadeiras e forte crítico de seu pai) e ao Partido Social Cristão (PSC, 18) de direita para criar uma maioria na hora de designar autoridades como presidente e dois vice-presidentes do Congresso.

Noboa governará até 2025, que é o resto do mandato do ex-presidente Guillermo Lasso. Em maio de 2023, Lasso dissolveu o Congresso e convocou eleições antecipadas para não ser julgado politicamente por corrupção (o Legislativo era dominado pela oposição).

Escalada de violência

O país vive uma crise de segurança há dois dias. Noboa decretou na segunda (8) estado de exceção, depois da fuga da prisão de um criminoso conhecido como Fito, chefe do grupo Los Choneros. O decreto segue em vigor e estabelece toque de recolher entre 23h e 5h.

Nesta terça-feira (9), as autoridades relataram a fuga de outro criminoso: Fabricio Colón Pico, um dos líderes de Los Lobos, preso na sexta-feira pelo crime de sequestro e por sua suposta responsabilidade em um plano para assassinar a procuradora-geral do país.

O que está acontecendo:

  • Sete policiais foram sequestrados já durante o período de estado de exceção. Os sequestros aconteceram nas cidades de Machala e Quito e na província de Los Rios;
  • Vídeos circulam nas redes sociais com supostas execuções de agentes penitenciários e policiais sendo feitos reféns;
  • Além dos sequestros de agentes na noite de segunda-feira, houve explosões na província de Esmeraldas. Várias pessoas lançaram um artefato explosivo perto de uma delegacia e dois veículos foram queimados em outros locais, sem deixar vítimas.
  • Relatos apontam que criminosos invadiram uma universidade em Guaiaquil, que suspendeu as aulas.
  • Em Quito, um veículo explodiu e um dispositivo foi detonado perto de uma ponte de pedestres. O prefeito Pabel Muñoz pediu ao Executivo a "militarização" de instalações estratégicas ante a "crise de segurança sem precedentes".
  • O Ministério da Educação suspendeu as aulas presenciais em todo o país até a próxima sexta (12).

Crime organizado

Presidente do Equador declarou estado de "conflito armado interno" após série de ataques do crime organizado. Homens armados invadiram um canal de TV ao vivo em Guayaquil — Foto: Cesar Munoz/AP

Localizado entre a Colômbia e o Peru, os maiores produtores mundiais de cocaína, o Equador deixou de ser uma ilha de paz para se tornar um forte de guerra às drogas. O ano de 2023 terminou com mais de 7,8 mil homicídios e 220 toneladas de drogas apreendidas, novos recordes no país de 17 milhões de habitantes.

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Desde 2021, os confrontos entre presidiários deixaram mais de 460 mortos. Além disso, os homicídios nas ruas entre 2018 e 2023 cresceram quase 800%, passando de 6 para 46 por 100 mil habitantes.

Além da crise institucional, o país também tem problemas com o aumento da violência das gangues de traficantes. Cerca de 3.600 pessoas foram assassinadas no país neste ano, segundo o Observatório Equatoriano do Crime Organizado.

Crise de segurança durante as eleições

A campanha eleitoral equatoriana de 2023 foi marcada pelo assassinato do candidato Fernando Villavicencio, jornalista investigativo morto com tiros na cabeça ao sair de um comício em Quito no início de julho.

Um grupo criminoso ligado ao tráfico de drogas reivindicou autoria, mas a Promotoria do país continua investigando o caso, que colocou a violência sem precedentes na história recente do país sob os holofotes do mundo inteiro.

No dia do pleito, Noboa foi votar usando colete à prova de balas, como fizeram candidatos no primeiro turno.