ūü¶üūü¶üūü¶ü Pesquisadores do World Mosquito buscam diminuir a dissemina√ß√£o de doen√ßas potencialmente mortais transmitidas por mosquitos, como dengue, zika e febre amarela, espalhando milh√Ķes deste tipo de inseto infectados por Wolbachia em regi√Ķes onde essas doen√ßas s√£o comuns.

A bactéria Wolbachia diminui significativamente a capacidade dos mosquitos Aedes aegypti Рum dos maiores transmissores de doenças vetoriais em todo o mundo Рde transmitirem doenças.

  • A f√™mea infectada transmite a bact√©ria aos filhotes, perpetuando a Wolbachia nas pr√≥ximas gera√ß√Ķes.
  • O cruzamento natural garante a perpetua√ß√£o dos mosquitos com a bact√©ria e n√£o exige novas libera√ß√Ķes depois que a popula√ß√£o de mosquitos com a Wolbachia se estabelece.

ūüĎČ Ap√≥s uma fase inicial de testes na cidade colombiana de Bello, em 2015, os pesquisadores ampliaram a libera√ß√£o destes mosquitos infectados para Medell√≠n e Itagui. Apesar de pesquisas semelhantes ocorrerem em outras partes do mundo, esta √© a maior j√° realizada pelo programa.

Em abril de 2022, os cientistas concluíram que cerca de 80% de todos os mosquitos em Bello e Itagui e 60% em Medellín haviam sido contaminados pela bactéria através da reprodução cruzada.

Para verificar o impacto desta mudan√ßa na transmiss√£o da dengue, foram avaliados os n√ļmeros de casos reportados durante a libera√ß√£o dos mosquitos infectados at√© julho de 2022.

Efic√°cia real

Os pesquisadores conclu√≠ram que a introdu√ß√£o dos mosquitos infectados nas popula√ß√Ķes locais de mosquitos esteve "associada a uma redu√ß√£o significativa" dos casos de dengue em at√© 97% em cada cidade, em compara√ß√£o com os dados registrados dez anos antes do in√≠cio do experimento.

Também foi realizado um estudo de controle de casos em Medellín, onde foi encontrada uma associação causal entre a chegada dos mosquitos infectados e a redução dos casos de dengue. Segundo os pesquisadores, os resultados demonstraram uma diminuição de 47% na incidência de dengue nos bairros onde esses mosquitos foram liberados.

Eles afirmam que essa foi a maior libera√ß√£o cont√≠nua desses insetos. Os resultados positivos "destacam a viabilidade operacional e a efic√°cia no mundo real da libera√ß√£o em grandes contextos urbanos e a reprodutibilidade dos benef√≠cios para a sa√ļde p√ļblica em contextos ecol√≥gicos diferentes".

Apesar de o estudo realizado na Col√īmbia ser o mais amplo j√° conclu√≠do, os pesquisadores do programa World Mosquito realizam experimentos semelhantes em outros pa√≠ses.

Um estudo em Yogyakarta, na Indonésia, mostrou uma redução de 77% nos casos de dengue após a aplicação deste método. No Brasil, até o momento, foi registrada uma diminuição de 38%.

Uma vez introduzidos nas popula√ß√Ķes locais, os mosquitos com Wolbachia permanecem por l√°. N√£o √© necess√°rio liberar mais mosquitos.

— Rafael Maciel de Freitas, bi√≥logo da Funda√ß√£o Oswaldo Cruz e do Instituto de Medicina Tropical Bernhard Nocht

Freitas, porém, alertou para a preocupação de que esse método possa não funcionar para sempre, dada a grande possibilidade de o patógeno da dengue encontrar um meio de se adaptar e contornar a bactéria Wolbachia. "O vírus provavelmente encontrará um caminho para superar esse efeito", observou.

"Eu não diria que a Wolbachia é a solução para a dengue, mas acho que temos uma resposta melhor para a doença através desse caminho", disse Freitas.

Ressalvas

Tudo isso soa como uma boa notícia, e pode até ser. Há, porém, algumas ressalvas, como o alto custo de implementação dos métodos do programa World Mosquito.

Al√©m disso, ainda n√£o est√° claro se a diminui√ß√£o dos casos de dengue observada na Col√īmbia e em outros lugares pode ser atribu√≠da somente a esse m√©todo. A doen√ßa ocorre em ondas, ou seja, cidades com muitos e frequentes casos no passado podem passar anos sem novos surtos.

H√° tamb√©m algumas regi√Ķes onde os mosquitos infectados pela Wolbachia parecem n√£o reduzir os casos de dengue ou houve uma diminui√ß√£o moderada em compara√ß√£o com outros locais.

Os cientistas ainda n√£o sabem quais fatores deixam algumas regi√Ķes mais resistentes a esse m√©todo.

O programa World Mosquito quer ampliar suas opera√ß√Ķes na pr√≥xima d√©cada, j√° tendo anunciado os planos de constru√ß√£o de uma f√°brica no Brasil para produzir 5 bilh√Ķes de mosquitos infectados com Wolbachia por ano.

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