Apoiadores de Bolsonaro chegaram a fechar estradas, acamparam em frente ao quartel-general do Exército, em Brasília, e de vários quartéis. Exigiram intervenção e, por fim, atacaram as sedes dos três poderes nos atos golpistas de 8 de janeiro.

Na sexta (15), o relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal, ministro Alexandre de Moraes, retirou o sigilo dos depoimentos, que trazem novos elementos sobre o que Bolsonaro, seus ministros e assessores mais próximos estariam fazendo. A Polícia Federal ouviu 27 pessoas entre o fim de fevereiro e o início de março, a maioria de forma simultânea para evitar combinação de versões.

Entre os citados estão Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o general Walter Braga Netto, candidato a vice-presidente na chapa do então presidente, o Partido Liberal, o general Augusto Heleno, ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha, e o major Rafael Martins Oliveira, tenente-coronel das Forças Especiais, grupo de elite do Exército.

O que dizem os citados

A defesa do tenente coronel Mauro Cid não quis se manifestar sobre o assunto.

Os advogados do general Braga Netto informaram que não tiveram acesso integral ao inquérito. Disseram que não constataram nas informações divulgadas até agora nenhuma oportunidade em que o general tenha participado de reunião com o objetivo de operacionalizar qualquer tipo de golpe, e que não participou de encontro que apresentasse qualquer tipo de conteúdo ilícito.

O Partido LIberal enfatizou que foi absolutamente intransigente com a preservação do estado democrático de direito e que o uso indevido do imóvel sede do partido, se ocorreu, deve levar à punição dos eventuais responsáveis.

O Fantástico também entrou em contato com os representantes do ex-presidente Jair Bolsonaro, general Augusto Heleno, general Paulo Sério Nogueira, almirante Almir Garnier Santos e o major Rafael Martins Oliveira, mas não houve resposta.