Por se tratar de uma prova inédita, muitos se perguntam como estudar e se preparar para esse processo seletivo.

Especialistas destacaram ao g1 a importância de ler atentamente o edital e manter a calma pois, no geral, os conteúdos já foram cobrados em concursos anteriores.

Veja abaixo algumas dicas de como se organizar para uma prova inédita:

1. Faça um bom cronograma de estudos 📆

Um dos primeiros passos para começar a se preparar para um concurso inédito é fazer um bom cronograma de estudos, baseado no conteúdo dos editais. O ideal é que seja uma rotina que o candidato consiga seguir até a data da prova.

“É importante não cometer excessos. Não precisa estudar oito, nove, ou dez horas por dia, esse é um cronograma insustentável. Talvez o participante consiga fazer isso por uma semana, porque o cérebro não vai reter todas as informações”, explica Ivan Neto, professor do Brabo Concursos.

O ideal é que o candidato estude duas ou três horas por dia. Segundo o especialista em concursos públicos, é “muito melhor que o participante estude menos horas durante mais dias, do que estude mais horas durante menos dias”.

2. Busque um bom material 📚

O próximo passo, ainda segundo Ivan Neto, é encontrar um bom material para estudos. Ele explica que é fundamental focar nas matérias que são cobradas no bloco temático escolhido.

De acordo com o professor, existem conteúdos gratuitos disponíveis na internet, como lives que analisam os editais, além de videoaulas que focam em temas específicos.

Outra recomendação é acessar o site do órgão escolhido para concorrência de vagas. Segundo Eduardo Cambuy, professor do Gran Cursos, temas como políticas públicas, realidade brasileira, direitos humanos e diversidade podem ser encontrados em cartilhas da própria instituição.

“No caso do Ipea, por exemplo, eles têm um manual sobre realidade econômica, social, administrativa e financeira de todo o Brasil. Eles trabalham a realidade brasileira dentro da temática que o CNU deve pedir. Então, essa é uma boa fonte, assim como para políticas públicas. O próprio IBGE também tem muitos materiais informativos sobre o assunto”, afirma.

3. Resolva questões de concursos anteriores 📝

Os especialistas destacam que uma forma de treinar para a prova é resolver questões de concursos anteriores, sejam eles organizados pela Cesgranrio – a banca responsável pelo “Enem dos concursos” – ou por outras instituições.

Mateus Andrade, fundador do Brabo Concursos, orienta que o aluno monte os seus próprios simulados, com questões das disciplinas que serão cobradas na prova do bloco temático.

“Eu não faria, por exemplo, uma prova completa do Banco do Brasil porque os temas não são todos iguais, mas aí você pega as questões da disciplina que vai cair na sua prova para ter uma noção de como é a cobrança da Cesgranrio sobre ela”, comenta.

Apesar de ser uma prova inédita, todos os temas previstos nos editais já foram cobrados em outros concursos públicos, afirma o especialista. Em alguns casos, a forma como o assunto é exigido ou o nome da disciplina pode ser diferente, mas o conteúdo é o mesmo.

“Ao fazer provas de concursos anteriores, o candidato vai estudar o assunto, entender o estilo da banca e, ainda, perceber quais conteúdos são mais cobrados. Isso é importante porque a quantidade de questões da prova costuma ser pequena comparada ao universo de assuntos previstos nos editais”, explica Andrade.

Um exemplo dado pelo especialista é se o candidato baixar cinco ou seis provas anteriores da Cesgranrio que cobravam, por exemplo, português. "Aí você percebe que eles gostam muito de regência verbal, e estuda esse assunto com uma intensidade maior”, aconselha.

4. Cuidado com o tempo de prova ⏳

  • nível superior: provas objetivas de conhecimentos gerais (20 questões) + prova discursiva de conhecimentos específicos do bloco temático.
  • nível médio: provas objetivas (15 questões) + redação.

Vespertino (3h30 de prova):

  • nível superior: provas objetivas de conhecimentos específicos (50 questões).
  • nível médio: provas objetivas (45 questões).

“Em concursos de bancas com questões grandes, não dá tempo de o aluno terminar a prova. Então, se não se organiza em relação ao tempo, tem que chutar várias questões. A dica para esse caso é fazer simulados. Pelo menos dois, cronometrando o tempo”, orienta o professor Bruno Bezerra, do Estratégia Concursos.

5. Pesos e notas são coisas diferentes ⚖️

Outro ponto que o candidato precisa considerar na hora do estudo é que, apesar de ser uma mesma prova para todos os cargos dentro de um bloco, cada disciplina terá um peso diferente na nota dele, a depender da vaga escolhida.

Por isso, o ideal é que o candidato escolha o cargo em que mais deseja ser aprovado e priorize as matérias de maior peso para ele, orienta o professor Eduardo Cambuy.

“O inscrito não tem condições de estudar todo o conteúdo como se tudo fosse importante para conseguir aprovação. Então, agora, diferente de qualquer outro concurso, a priorização é dentro da especialidade escolhida”, afirma.

Um exemplo dando pelo especialista é o caso de um candidato que escolheu concorrer a dez vagas em diferentes órgãos. Na primeira oportunidade, os eixos temáticos 2 e 3 são os de maiores pesos na nota final. Mas, na segunda vaga escolhida, os eixos 4 e 5 são os que tem maior peso.

Então, caso o participante queira concorrer a todas as oportunidades, é necessário estudar todos os eixos do bloco escolhido no mesmo nível de importância. Segundo o especialista, não daria tempo para isso até a data da prova.

“Então, por exemplo, você pode tirar 64 no IBGE, mas no Funai você tirou 90, no Inep você tirou 70 e em outro foi 82. Como são pesos diferentes, na mesma questão certa no IBGE você ganha um ponto, mas no Funai você ganha três, mas no Inep ganha cinco”, completa.

6. Atenção na hora da redação ⚠️

Para concorrer às vagas de nível superior, os candidatos terão que responder a uma questão dissertativa, que vai abordar conteúdos previstos no edital.

Na hora da correção, os examinadores vão atribuir metade dos pontos levando em conta a compreensão e desenvolvimento do tema, e a outra metade, os conhecimentos de ortografia e gramática e a estrutura do texto.

A resposta deverá ter introdução, desenvolvimento e conclusão. Segundo o professor Bruno Bezerra, geralmente, esse tipo de questão traz um ou dois textos motivadores e pede para o candidato discorrer sobre o assunto com base neles.

A quantidade de linhas para a resposta deve estar descrita no enunciado da questão, mas o comum é exigir entre 20 e 30 linhas, afirma o especialista.

No caso das oportunidades de ensino médio, a prova discursiva é uma redação.

A avaliação será feita conforme a adequação ao tema proposto e ao tipo de texto solicitado, emprego apropriado de mecanismos de coesão, capacidade de selecionar e organizar os argumentos e ter o pleno domínio da norma-padrão.

Segundo Cambuy, é importante ficar atento aos sites e fontes de pesquisas. O recomendado é buscar temas para estudos dentro dos sites dos próprios órgãos.

“Ao invés de focar em notícias, jornais, ou coisas mais genéricas, nesse caso é mais específico. Então vou pegar informações no site do Ministério da Gestão por exemplo, ou no portal do Inep, focando sempre no bloco temático escolhido”, completa o professor.

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