O bebê, com menos de um dia de vida, morreu enquanto era transferido para Manaus por uma UTI aérea de emergência, segundo a Secretaria de Saúde da cidade.

Ainda conforme a PC-AM, será investigado a prática de crimes de dano simples e qualificado praticados contra a residência do prefeito do município, Lúcio Flávio (PSD) e ao hospital, por populares após a morte da criança.

"Todos os envolvidos nas duas ocorrências serão chamados para prestarem esclarecimentos à polícia e, ao término das investigações, o procedimento será remetido à Justiça", disse a PC-AM.

De acordo com a polícia, após o sepultamento do recém-nascido na segunda-feira (4), manifestantes foram para frente da casa do prefeito e um familiar bateu com o carro no portão do imóvel. Em seguida, as pessoas que participavam do ato entraram na residência de Lúcio e danificaram a estrutura e alguns objetos. O gestor não estava no local.

Em imagens de seguranças feitas dentro do hospital de Manicoré, é possível ver vidros quebrados e portas arrancadas.

Hospital de Manicoré é depredado após morte de recém-nascido

Hospital de Manicoré é depredado após morte de recém-nascido

Em nota, a Prefeitura do município lamentou a morte do bebê e informou que os responsáveis pelas ações de vandalismo serão identificados e responderão na justiça pelos atos.

Todos os envolvidos tanto do caso do recém-nascido quanto da depredação, segundo a polícia, serão chamados para prestarem esclarecimentos à polícia e encaminhados à Justiça

Familiares relatam ausência do exame de corpo delito

Em entrevista ao g1, a avó da criança, Raimunda Beleza, contou que após a morte da criança não foi realizado exame de corpo delito no recém-nascido.

“O bebê morreu dentro do avião e quando pousaram em Manaus, ninguém fez o exame no meu neto. Os médicos disseram para minha filha que não iriam fazer o procedimento, porque eles não tinham responsabilidade sobre a morte, já que aconteceu aqui [Manicoré]”, disse Raimunda.

Sem exame de corpo de delito, segundo relatos da avó, a criança foi levada direto pela funerária para realizar o sepultamento.

A avó também afirmou que o nascimento do neto foi feito de forma forçada, já que a filha, conforme relato, não poderia fazer parto normal.

“Foi erro do médico lá no hospital, porque ele não sabia que minha filha não podia ter normal. Então ele ficou dizendo que ela faria parto normal. O menino nasceu desacordado, aí depois reanimaram de novo ele”, explicou.

Perguntada sobre o avião fretado, a avó respondeu ao g1 que foi necessário, junto ao seu marido, fazer um empréstimo de R$ 13 mil, já que, de acordo com ela, a família não recebeu apoio do poder público.

Raimunda Beleza também afirmou que pretende, em breve, solicitar a exumação do corpo do recém-nascido, uma vez que não houve realização do exame.

“A gente vai pedir sim. Isso é um direito nosso. Até agora não sabemos o motivo dele ter morrido. Então vamos procurar um perito para saber a causa”, disse.