A Eleição que Pode Redesenhar Rondônia

A Eleição que Pode Redesenhar Rondônia

JOGO ABERTO COM JOTTA JUNIOR


Toda eleição escolhe governantes.

Algumas escolhem destinos.

A disputa de 2026 em Rondônia caminha para ser uma dessas eleições que ultrapassam a simples troca de mandatários e se transformam em uma discussão sobre qual projeto de estado os rondonienses desejam construir para as próximas décadas.

As movimentações da pré-campanha já permitem identificar alguns protagonistas.

As pesquisas divulgadas ao longo dos últimos meses colocam o senador Marcos Rogério, o ex-prefeito de Cacoal Adailton Fúria e o ex-prefeito de Porto Velho Hildon Chaves entre os nomes mais competitivos na corrida pelo Palácio Rio Madeira. Os levantamentos também mostram Marcos Rogério na liderança das intenções de voto, com Fúria consolidando-se como principal desafiante e Hildon mantendo relevância no cenário estadual.

Marcos Rogério chega à disputa apoiado por um eleitorado conservador consolidado e por uma trajetória política que o transformou em uma das principais referências da direita rondoniense. Sua estratégia parece estar fortemente associada à manutenção desse campo político, que possui significativa força eleitoral no estado.

Mas eleições majoritárias possuem uma característica própria: não basta mobilizar sua base; é preciso ampliar fronteiras.

A história eleitoral brasileira mostra que campanhas são vencidas não apenas pela força dos apoiadores mais fiéis, mas pela capacidade de conquistar os eleitores que permanecem no centro do debate político.

Do outro lado surge Adailton Fúria.

Talvez nenhum outro pré-candidato tenha aproveitado tão bem o período de pré-campanha. Seu intenso roteiro pelo interior do estado demonstra compreensão de uma velha máxima da política: Rondônia não se conquista apenas pelos grandes centros urbanos.

Com forte aprovação acumulada em seus mandatos como prefeito de Cacoal, Fúria construiu uma imagem associada à gestão e ao contato direto com a população. Seu crescimento nas pesquisas acompanha justamente essa estratégia de presença constante nos municípios.

Já Hildon Chaves entra na disputa carregando o peso e a vantagem de ter administrado Porto Velho durante dois mandatos consecutivos.

Deixou a prefeitura com índices positivos de avaliação e busca transformar essa experiência administrativa em capital político estadual.

Sua escolha de alianças e sua busca por fortalecimento no interior demonstram a compreensão de que nenhuma candidatura ao governo de Rondônia se sustenta apenas na capital.

Naturalmente, a disputa não se resume a esses três nomes.

Expedito Netto, Samuel Costa, Luiz Teodoro, Pedro Abib e outras lideranças também ocupam espaço no debate político e podem influenciar significativamente o resultado final.

Mas existe uma reflexão mais importante do que os nomes.

O que Rondônia pretende discutir em 2026?

Infelizmente, parte do debate político brasileiro continua aprisionada na armadilha da polarização permanente.

Direita.

Esquerda.

Conservadores.

Progressistas.

Uma guerra de narrativas que produz muito barulho e poucas soluções.

Enquanto isso, os problemas reais permanecem sentados na sala esperando alguém iniciar a reunião.

A BR-364 continua exigindo investimentos.

A saúde pública continua enfrentando desafios estruturais.

A logística segue sendo um obstáculo ao crescimento econômico.

A industrialização permanece como uma promessa distante.

A qualificação da mão de obra continua sendo um desafio estratégico.

Talvez o eleitor rondoniense precise aproveitar esta campanha para inverter a lógica.

Em vez de perguntar ao candidato quem ele apoia em Brasília, perguntar o que ele pretende fazer em Rondônia.

Em vez de perguntar contra quem ele luta, perguntar a favor de qual projeto ele trabalha.

Em vez de discutir apenas ideologias, discutir metas.

Porque governos não são eleitos para vencer debates na internet.

São eleitos para resolver problemas.

E quanto mais cedo compreendermos isso, maior será a qualidade da nossa democracia.

As eleições de 2026 ainda estão longe de uma definição.

Mas uma certeza já pode ser registrada.

O futuro de Rondônia não será decidido pela intensidade dos discursos.

Será decidido pela qualidade das propostas e pela capacidade do eleitor distinguir emoção de planejamento.

E talvez essa seja a escolha mais importante de todas.

Jotta Junior

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