A Bancada Bilionária e a Pobreza das Prioridades

A Bancada Bilionária e a Pobreza das Prioridades

JOGO ABERTO COM JOTTA JUNIOR


Existe uma pergunta que deveria incomodar todos os rondonienses em ano eleitoral.

O que realmente mudou em Rondônia graças ao trabalho estratégico de sua bancada federal?

Não falo de discursos inflamados. Não falo de vídeos para redes sociais. Muito menos de disputas ideológicas que dividem o país entre esquerda e direita.

Falo de resultados.

Todos os anos, deputados federais e senadores dispõem de instrumentos orçamentários capazes de transformar profundamente um estado. As emendas parlamentares representam uma oportunidade extraordinária para financiar hospitais, escolas, creches, infraestrutura, logística, inovação e desenvolvimento regional. O próprio Portal da Transparência permite acompanhar esses recursos e sua destinação.

A pergunta é inevitável.

Onde está o planejamento estratégico da bancada federal de Rondônia?

Os onze parlamentares deveriam atuar como um conselho permanente de desenvolvimento do estado, definindo prioridades capazes de produzir efeitos por décadas. Em vez disso, muitas vezes a percepção é de recursos pulverizados em centenas de pequenas ações, algumas importantes para os municípios, outras voltadas para eventos e festividades, mas sem uma visão integrada de futuro.

Não há ilegalidade em apoiar eventos culturais. Eles também possuem valor social.

Mas quando um estado enfrenta gargalos históricos na saúde, na infraestrutura, na logística e na educação, torna-se legítimo questionar se as prioridades estão na ordem correta.

Rondônia continua necessitando de investimentos estruturantes.

Hospitais regionais.

Ampliação da rede de saúde.

Rodovias mais seguras.

Creches.

Institutos federais fortalecidos.

Infraestrutura para atrair novas indústrias.

Projetos que aumentem a competitividade da economia e gerem empregos permanentes.

Enquanto isso, o debate político frequentemente é capturado por disputas ideológicas que pouco alteram a vida de quem acorda às cinco da manhã para trabalhar.

O cidadão não chega ao posto de saúde e pergunta se o médico é de direita ou de esquerda.

Ele pergunta se haverá atendimento.

O produtor rural não quer saber quem venceu o debate da internet.

Ele quer estradas para escoar sua produção.

O empresário não investe onde há mais discursos.

Investe onde existe infraestrutura, segurança jurídica e planejamento.

Nesse cenário, merece registro uma exceção. O senador Confúcio Moura tem concentrado boa parte de sua atuação em temas ligados ao desenvolvimento regional, à educação, à regularização fundiária e à formulação de políticas públicas de longo prazo. Naturalmente, sua atuação também pode ser objeto de críticas, como qualquer agente público, mas seu foco tem sido diferente da predominância do debate ideológico.

Em 2026, o eleitor terá novamente a oportunidade de renovar ou reconduzir seus representantes.

Talvez esteja na hora de mudar também a pergunta feita durante a campanha.

Em vez de perguntar em qual lado da polarização o candidato está, talvez devêssemos perguntar:

Qual legado estrutural você deixará para Rondônia daqui a vinte anos?

Porque mandatos passam.

Vídeos viralizam e desaparecem.

As redes sociais mudam.

Mas um hospital continua salvando vidas.

Uma escola continua formando gerações.

Uma rodovia continua produzindo riqueza.

E essas obras permanecem muito depois que o último discurso termina.

Jotta Junior

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