Foto: Reuters – granja em Taquari (RS)
Com produção acima do consumo interno, a China dobrou as exportações de frango em cinco anos e pressiona exportadores tradicionais
A China está produzindo mais carne do que consegue consumir e passou a vender o excedente no exterior, avançando sobre mercados tradicionalmente abastecidos pelo Brasil, maior exportador mundial de frango. Segundo dados alfandegários citados pela agência Reuters, o país exportou US$ 2,6 bilhões em produtos de frango em 2025, quase o dobro do valor de 2020, e se tornou exportador líquido da proteína.
De acordo com comerciantes internacionais ouvidos na reportagem, cortes chineses de peito e coxa chegam a custar de 10% a 20% menos que os brasileiros. A participação chinesa no mercado de aves processadas da União Europeia dobrou desde 2022 e chegou a 10%; no Reino Unido, passou de 14%. Compradores africanos também têm buscado o produto chinês como alternativa mais barata.
A expansão foi impulsionada por políticas de segurança alimentar e subsídios, que representaram cerca de 13% da receita bruta dos produtores agrícolas chineses entre 2022 e 2024, segundo a OCDE, além de granjas maiores e mais eficientes. Ao mesmo tempo, o consumo de carne suína na China caiu, e o de frango cresceu mais de 50% em uma década.
Para consolidar as vendas, a indústria chinesa ainda precisa comprovar padrões sanitários e de rastreabilidade. Ainda assim, a combinação de oferta excedente e preços baixos tende a aumentar a concorrência com exportadores como o Brasil.
Por: João Pedro de Carvalho Tozatto




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