Foto: Tom Shlesinger – recife de coral na Papua-Nova Guiné
Aquecimento dos oceanos é a principal ameaça; Nordeste do Brasil tem risco particularmente alto por abrigar espécies que só existem lá
Quase metade das espécies de corais responsáveis pela formação dos recifes está ameaçada de extinção, segundo a maior avaliação global já feita sobre esse grupo, publicada na revista científica Nature. Das 774 espécies com dados suficientes, 340, ou 44%, foram classificadas como ameaçadas. Na primeira avaliação global, em 2008, cerca de um terço aparecia nessa condição.
O principal fator é o aquecimento dos oceanos provocado pela mudança climática, que causa o branqueamento dos corais: com o calor, eles expulsam as algas que lhes fornecem energia e podem morrer. A mudança climática foi determinante para a classificação de mais de 90% das espécies nos grupos de maior risco.
No Atlântico, metade das espécies avaliadas está ameaçada, proporção maior que a do Indo-Pacífico (43%). O risco é considerado particularmente alto no Nordeste do Brasil, região com o maior nível de endemismo do Atlântico, ou seja, com corais que não existem em nenhum outro lugar do planeta. Segundo especialistas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), episódios severos de branqueamento já foram registrados ao longo de uma extensa faixa da costa brasileira.
Os pesquisadores alertam que o quadro atual pode ser ainda pior, porque os dados vão até 2020 e não incluem plenamente os anos excepcionalmente quentes de 2023 a 2025.
Por: João Pedro de Carvalho Tozatto




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