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Estudo da Fiocruz mostra que microrregiões com níveis epidêmicos de dengue mais que dobraram entre 2006 e 2024; especialistas alertam também para fungos resistentes
Temperaturas mais altas e mudanças no regime de chuvas já estão fazendo transmissores de doenças circularem mais e chegarem a regiões onde antes não sobreviviam. A dengue é o exemplo mais claro: um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que, de 2006 a 2024, o número de microrregiões brasileiras com níveis epidêmicos da doença passou de 110 para 292, o equivalente a 54% do país.
O Rio Grande do Sul, onde o frio funcionava como barreira para o mosquito Aedes aegypti, só teve o primeiro caso não importado em 2007. Em 2024, ano recorde de dengue no Brasil, o estado confirmou quase 210 mil infecções e 281 mortes. Segundo a pesquisa, o indicador climático que melhor explica o avanço da doença é a maior frequência de anomalias térmicas, ou seja, temperaturas muito diferentes das habituais.
A febre oropouche, que circulava quase só na Região Amazônica até 2023, causou mais de 12 mil infecções no ano passado, em 23 estados e no Distrito Federal. Especialistas também apontam riscos após eventos extremos: enchentes favorecem a leptospirose e a hepatite A, e queimadas podem empurrar pequenos mamíferos para perto das casas, aumentando o risco de hantavírus.
Outra preocupação são os fungos que se adaptam ao calor, como a Candida auris, que já teve 24 ocorrências em 15 estados brasileiros desde 2020, todas em unidades de saúde.
Fonte: Agência Brasil
Por: João Pedro de Carvalho Tozatto



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