Presidente da Petrobras diz não ser possível segurar preço do petróleo

 

Joaquim Silva afirmou que o comportamento adotado precisa ser de empresa privada e que não cabe a ela fazer políticas públicas 



O presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, e o CEO da empresa, Rodrigo Araújo

O presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, e o CEO da empresa, Rodrigo Araújo

REPRODUÇÃO

Enquanto o Congresso debate uma revisão na política de paridade de preço com o mercado internacional adotada pela Petrobras, o presidente da empresa, Joaquim Silva e Luna, defendeu, nesta quinta-feira (3), que não cabe à estatal tentar segurar os valores cobrados nos derivados de petróleo e que tal medida tem potencial de prejudicar a estrutura de arrecadação interna e o próprio abastecimento brasileiro. 

"Sabemos o prejuízo que é tentar segurar preço de forma artificial. Primeiro vamos perder muitos investimentos e vamos dificultar importação. A Petrobras, sozinha, não abastece o mercado derivado do petróleo. Mais de 30% depende de importação. No caso do gás, 50%. Então se não houver preço competitivo, não há como o mercado ser suprido", argumentou Luna, durante participação virtual na Latin America Investment Conference, organizada pelo Credit Suisse.

Fato é que a Petrobras vive um momento de recuperação e estabilidade, com dívidas saneadas. Silva e Luna disse que essa situação dificulta o entendimento de que a atual dinâmica adotada pela companhia é o ideal, já que "dá a impressão que ela pode, por conta própria, querer contribuir com redução de preço unilateralmente".

Na avaliação do presidente, a Petrobras precisa se comportar como empresa privada e dentro da legalidade praticando os preços de mercado. Apesar de admitir que a Petrobras tem um papel a responsabilidade social, Silva e Luna afirmou que não cabe à empresa elaborar políticas públicas. 

A contrapartida, segundo ele, vem em forma de retorno aos investidores, sendo que o principal deles é o governo federal. "Em 2021, pagamos R$ 220 bilhões em tributos ao governo. De modo geral, foram R$ 73 bilhões em dividendos. Um valor muito grande, capaz de gerar emprego, políticas públicas. A contribuição que a Petrobras saudável, forte, dá à sociedade é muito grande."

O CEO da Petrobras, Rodrigo Araújo, também defendeu que a empresa já faz a contribuição devida, alegando que "60% de tudo que a companhia gera em fluxo de caixa retorna para a sociedade brasileira, seja na forma de tributo ou distribuição de dividendos". "Poucas empresas têm percentual de retorno tão alto", disse, completando que a pretenão do restante do caixa não é reter recursos, mas gerar investimentos. "Nessa janela de 5 anos a companhia pagou mais de R$ 1 trilhão em tributos, número expressivo para uma empresa que representa 4% do PIB brasileiro."

No Congresso

Na volta das atividades parlamentares, a tentativa de controlar o aumento de preço dos combustíveis no país é tema prioritário de debate. Na terça-feira (1º), os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), se reuniram para discutir propostas de autoria dos deputados, que atualmente estão sob análise do Senado.

Um dos projetos apoiados por Pacheco prevê uma nova forma de calcular o preço dos derivados de petróleo, tendo como base os custos de importação, cotações médias do mercado internacional, os custos de produção interna. Atualmente, a política de preços da Petrobras vincula a cotação do dólar ao preço pago nas bombas. 

O relator das matérias em discussão no Senado, Jean Paul Prates (PT-RN), afirmou que pretende incluir impostos federais em seus pareceres. A ideia é evitar que o envio de uma PEC (proposta de emenda à Constituição) por Bolsonaro atrase o andamento dos projetos.

    Presidente da Petrobras diz não ser possível segurar preço do petróleo Presidente da Petrobras diz não ser possível segurar preço do petróleo Reviewed by Jotta Júnior on fevereiro 03, 2022 Rating: 5
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