Processo foi anulado no final de outubro por decisão do juiz da 2ª Vara Especializada em Organizações Criminosas do Tribunal de Justiça do Rio.

Por Henrique Coelho, g1 Rio

  • Juiz Juarez Costa de Andrade disse que a Polícia Federal não tem atribuição para conduzir o inquérito contra a quadrilha.

  • MPRJ alega que a existência de um esquema criminoso interestadual, com ramificações no Espírito Santo, pode ser investigado pela PF.

  • Na série 'Vale o escrito: a guerra do jogo do bicho', disponível no GloboPlay, Guimarães definiu o jogo do bicho como 'o partido político mais organizado no Rio de Janeiro.'

Capitão Guimarães, em cena de 'Vale o escrito: a guerra do jogo do bicho' — Foto: Reprodução/Globoplay
1 de 5 Capitão Guimarães, em cena de 'Vale o escrito: a guerra do jogo do bicho' — Foto: Reprodução/Globoplay

Capitão Guimarães, em cena de 'Vale o escrito: a guerra do jogo do bicho' — Foto: Reprodução/Globoplay

O Grupo de Atualização Especializada e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio (MPRJ), recorreu da decisão judicial que anulou um processo contra o bicheiro Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães.

Ele foi preso comandar a contravenção em diferentes partes do Rio de Janeiro e no Espírito Santo. O recurso foi enviado ao juiz responsável e está sendo analisado.

O juiz Juarez Costa de Andrade, da 2ª Vara Especializada em Organizações Criminosas, determinou que todas as provas deveriam ser anuladas porque a Polícia Federal não tem atribuição para conduzir o inquérito contra a quadrilha. Segundo ele, o inquérito deveria ser conduzido pela Polícia Civil, de atribuição estadual.

O Ministério Público alegou, em documento ao qual o g1 teve acesso, dois motivos para pedir auxílio da Polícia Federal:

  • a existência de um esquema criminoso interestadual, com ramificações no Espírito Santo;
  • 'fortes vínculos do bando com integrantes da Polícia Civil do Rio'.

Segundo a petição, a denúncia apontou a atuação decisiva de policiais civis na organização criminosa chefiada por Capitão Guimarães.

Na operação, foram presos seis policiais (1 federal, 2 civis e 3 militares), entre eles:

  1. Allan Pinheiro Coutinho, policial militar
  2. Alzino Carvalho de Souza, policial civil
  3. Fagner Batista Pardin, policial militar
  4. Gilberto Ferreira Pereira, policial federal aposentado - preso no Espírito Santo

Capitão Guimarães (de terno branco) e o policial civil Alzino Carvalho de Souza — Foto: Reprodução

Alzino era um dos principais membros da organização criminosa, segundo as investigações. Ele teria coordenado a compra de 23 pistolas e 22 carabinas por mais de R$ 312 mil. O processo, de acordo com a denúncia do Ministério Público, contou com a ajuda de agentes de segurança pública corruptos.

A mesma investigação apontou que policiais civis "utilizaram de sistemas da própria instituição para pesquisar possíveis bicheiros rivais e seus familiares, sempre em prol dos interesses do bando criminoso."

Dois PMs, que levavam R$ 130 mil, foram interceptados na Ponte Rio-Niterói. Eles levavam o valor, em dinheiro, para a casa de Marcel Rios Werneck, genro de Guimarães.

Quadrilha interestadual

Bingo clandestino da quadrilha de Capitão Guimarães na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio, segundo o MP — Foto: Reprodução

No recurso, o Gaeco alega que a investigação apontou que havia atuação do bando de Capitão Guimarães "nos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, com prisão de denunciados e apreensão de valores em ambos os Estados-membros."

O MP alega que, ao aceitar a denúncia em maio, o mesmo juiz que posteriormente anulou o processo aceitou que havia motivos para uma investigação em âmbito federal.

Segundo as investigações, Guimarães comanda o esquema nos seguintes locais:

  • Niterói
  • São Gonçalo
  • Ilha do Governador
  • Municípios da Região dos Lagos
  • Vila Velha
  • Vitória

Dados e quebra de sigilo

O ex-PM Deveraldo Lima Barreira e o Capitão Guimarães na festa de 80 anos do contraventor — Foto: Reprodução

O magistrado ainda pediu a nulidade das provas, alegando que dados foram extraídos do celular do policial civil Alzino Carvalho.

O MP diz que as provas foram obtidas através de quebra de sigilo telemático do celular de Alzino, apenas após uma autorização judicial.

O argumento no recurso é de que o próprio juiz autorizou, por duas vezes, medidas cautelares de afastamento de sigilo telemático de pessoas investigadas.

Quem é o Capitão Guimarães

Capitão Guimarães foi preso em uma casa em Niterói, na Região Metropolitana do Rio, em 2022 — Foto: Reprodução/ TV Globo

Guimarães é apontado como chefe da quadrilha investigada por homicídios, corrupção passiva e porte ilegal de arma de fogo.

Ele foi presidente da sua escola de coração, a Vila Isabel, da Zona Norte do Rio. Ele também recebeu o título de patrono da Unidos do Viradouro, escola de Niterói.