Lil não gosta de se ficar sozinho, e quando ele se sente assim acaba ficando inquieto — Foto: Ivan Inácio/Arquivo pessoal
1 de 6 Lil não gosta de se ficar sozinho, e quando ele se sente assim acaba ficando inquieto — Foto: Ivan Inácio/Arquivo pessoal

Lil não gosta de se ficar sozinho, e quando ele se sente assim acaba ficando inquieto — Foto: Ivan Inácio/Arquivo pessoal

Medo de se sentir sozinho, tristeza, mudança de comportamento e estresse ao se aproximar de estranhos. Lil, o gato, possui sintomas de uma condição psicológica bastante comum em seres humanos: a ansiedade.

O engenheiro Ivan Inácio e seu namorado, Gilmar, são os tutores de Lil. Eles explicam que a ansiedade diagnosticada no gato é consequência de um problema de incontinência urinária, chamada de "Sindrome de Pandora", uma inflamação do trato urinário.

Engenheiro Ivan Inácio e seu namorado Gilmar são tutores de Lil — Foto: Ivan Inácio/Arquivo pessoal

Lil não gosta de se sentir sozinho. Quando se sente assim, acaba ficando inquieto, prendendo o xixi ou urinando "sem parar". Devido à complicações da "Síndrome de Pandora, o felino precisou passar por uma cirurgia de penectomia total, que é a retirada do pênis para desobstruir o canal urinário.

Após a cirurgia, o felino começou a apresentar diversos comportamentos "estranhos", como agressividade, inquietação e marcação de território, principalmente quando ficava sozinho.

Lil desenvolveu ansiedade após cirurgia de penectomia — Foto: Ivan Inácio/Arquivo pessoal

Inácio, preocupado, adotou diversas estratégias para diminuir o estresse de Lil, incluindo oferecer fontes de água, espalhar brinquedos pela casa e manter a caixa de areia sempre limpa. No entanto, as técnicas não pareciam surtir efeito.

"Ele vinha em minha direção, arranhava e mordia, sujava a caixa de areia, fazia xixi em todos os lugares. Estava bastante caótico", explica o tutor.

O engenheiro decidiu buscar ajuda veterinária e descobriu que o comportamento eufórico de Lil era uma problema bastante comum em humanos: a ansiedade. No entanto, no caso do felino, essa condição estava associada à síndrome urinária. A veterinária prescreveu um tratamento com medicamento para lidar com as crises do gato.

Lil faz tratamento para ansiedade com medicamentos — Foto: Ivan Inácio/Arquivo pessoal

O tutor conta que o remédio ajudou a a controlar a euforia do gato. Além disso, a chegada de um novo felino na família fez com que Lil se sentisse menos sozinho, principalmente quando Inácio precisa se ausentar.

Ansiedade em animais

Tanto em animais quanto em pessoas, a ansiedade surge como uma reação a situações desafiadoras. Mas, quando ela atinge certa intensidade ou ultrapassa a capacidade de adaptação, passa a ser patológica.

Ansiedade podem afetar animais de estimação — Foto: ACComunicação

De acordo com a veterinária Daiane Fagundes, os principais fatores que geram ansiedade em animais estão ligados ao ambiente e questões psicológicas. Isso se tornou mais comum com o retorno de muitos tutores ao trabalho presencial após um longo período em casa na pandemia.

Mudanças nos hábitos e na rotina podem causar problemas comportamentais nos animais. Certas raças apresentam maior propensão à hiperatividade e, em algumas situações, os animais podem se sentir entediados.

Mudanças nos hábitos e na rotina podem causar problemas comportamentais nos animais — Foto: Getty Images/BBC

Animais criados dentro de casas e apartamentos sem a devida atenção às suas diversas necessidades podem desenvolver problemas psicológicos devido ao “excesso de humanização” das rotinas, segundo a veterinária.

Como evitar?

Existem atividades que podem estimular a produção de serotonina (substância bioquímica que ajuda o cérebro a regular funções como o humor, apetite e até o ritmo cardíaco). Assim como nos humanos, baixos níveis de serotonina nos animais podem provocar distúrbios de ansiedade.

De acordo com Daiane, algumas dicas para ajudar os animais de estimação com o tédio, são:

  • Levar para passear todo dia;
  • Permitir que corram (caso morem em apartamento ou local fechado);
  • Brincar com eles;
  • Adquirir brinquedos estimulantes;
  • Socialização em creches ou conhecer outros animais (para pets que possuem muita hiperatividade)

A veterinária explica que há alguns comportamentos de ansiedade que podem ser tratados apenas com a socialização, gasto de energia e mudança na rotina.

Quando procurar ajuda?

De acordo com Daiane, é importante ficar atento ao comportamento do animal de estimação. Isso porque esse sintomas podem intensificar e gerar problemas mais graves, como automutilação.

É importante procurar ajuda veterinária, se o seu pet apresentar sintomas como:

  • Lambeduras excessivas;
  • Morder em excesso;
  • Hiperatividade;
  • Quebrar objetos em casa
  • Agressividade;
  • Urinar fora do local e outras mudanças de comportamento

A especialista esclarece que existem também problemas físicos e agudos que podem ser confundidos com os sintomas de ansiedade, como dificuldades nos membros, dermatite e lambeduras em feridas.