O ataque desta sexta foi o pior atentado na Rússia em 20 anos.

Os cinco homens armados com metralhadoras e vestidos com roupas camufladas que abriram fogo contra homens e mulheres eram do Estado Islâmico-Khorasan (EI-K, ou ISIS-K em inglês), braço afegão do grupo terrorista muçulmano que atua de forma regional. (Leia mais sobre o EI-K abaixo)

Após o ataque, os Estados Unidos disseram que confirmaram a reivindicação de responsabilidade do EI-K no ataque em Moscou, segundo uma autoridade do país.

Segundo uma autoridade dos EUA, o governo de Joe Biden alertou o país nas últimas semanas sobre a possibilidade de um ataque do grupo em território russo. A embaixada dos EUA em Moscou disse, no dia 7 de março, que terroristas tinham planos para atacar grandes aglomerações de pessoas em Moscou --inclusive shows-- e pediu para que os cidadãos americanos na Rússia evitassem esses locais.

Neste sábado (23) completa cinco anos desde que o Estado Islâmico perdeu seu último território na Síria, a vila de Al-Baghouz. Na ocasião, em 23 de março de 2019, as Forças Democráticas da Síria, assistidas pela Coalizão Global liderada pelos Estados Unidos, assumiram o controle do local.

Atentado perto de Moscou — Foto: AP

Veja abaixo perguntas e respostas sobre este outro grupo extremista (EI-K ou ISIS-K), com informações da agência AFP:

Meses depois de o Estado Islâmico declarar um califado no Iraque e na Síria, em 2014, combatentes que saíram do talibã paquistanês se uniram aos militantes no Afeganistão para formar um braço regional. Juraram lealdade ao líder do EI, Abu Bakr al Baghdadi.

O grupo foi reconhecido formalmente pelo comando central do EI no ano seguinte à sua instalação no nordeste do Afeganistão, nas províncias de Kunar, de Nangarhar e do Nuristão.

Também estabeleceu células em outras áreas do Paquistão e do Afeganistão, incluindo Cabul, segundo monitores da ONU.

As últimas estimativas de sua força variam de milhares de combatentes ativos até 500, conforme relatório do Conselho de Segurança da ONU divulgado em julho passado.

"Khorasan" é um nome histórico da região que inclui partes de onde ficam atualmente Paquistão, Irã, Afeganistão e Ásia Central.

Que tipo de ataques o EI executa?

O EI-K reivindicou alguns dos ataques mais violentos dos últimos anos no Afeganistão e no Paquistão.

O grupo massacrou civis nos dois países em mesquitas, santuários, praças e até hospitais, além de ter executado ataques contra muçulmanos de alas que considera hereges - em particular os xiitas.

Nas províncias em que está presente, o EI-K deixou marcas profundas. Seus homens mataram a tiros, decapitaram, torturaram e aterrorizaram os moradores, deixando minas por todos os lados.

Além dos bombardeios e massacres, o EI-Khorasan não conseguiu controlar nenhum território na região e sofreu grandes perdas nas operações militares talibãs e americanas.

Qual a relação do EI-Khorasan com a Rússia?

Qual a relação do EI-Khorasan com os talibãs?

Embora os dois grupos sejam militantes islâmicos sunitas de linha dura, também são rivais e divergem em temas de religião e estratégia. Cada um diz representar a verdadeira bandeira da Jihad.

As divergências provocaram confrontos sangrentos, dos quais os talibãs geralmente saíram vitoriosos desde 2019, quando o EI-Khorasan foi incapaz de controlar um território como fez seu grupo parente no Oriente Médio.

Em um sinal de inimizade entre os grupos jihadistas, os comunicados do EI se referem aos talibãs como apóstatas.

ISIS-K: saiba quem é o grupo extremista EI-K, responsável pelo ataque a uma casa de shows na Rússia

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Localização do Crocus City Hall, em Krasnogorsk, na Rússia — Foto: Kayan Albertin/g1