A Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE) promoveu, nesta segunda-feira (02), uma mesa-redonda online, realizada por videoconferência, em comemoração ao Dia do Estatístico. O evento reuniu especialistas da própria ENCE, da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para debater os desafios contemporâneos da profissão.

Com o tema “Desafios atuais para a Estatística”, o encontro destacou o papel estratégico da área diante das transformações impulsionadas pela inteligência artificial, pelo big data (grandes volumes de dados) e pela crescente demanda por decisões baseadas em evidências.

A professora Renata Pacheco Nogueira Duarte, que ressaltou a centralidade da Estatística em um cenário de expansão da ciência de dados. Segundo ela, “mais do que nunca, a Estatística tem estado no centro das discussões de toda essa revolução” e o estatístico se consolida como o profissional capaz de transformar dados em informações para orientar decisões em diferentes áreas. A docente também destacou a relevância da data, que coincide com o Dia do Estatístico, o Dia do Geógrafo e o aniversário do IBGE, reforçando a importância histórica e institucional da área no país.

A primeira apresentação, conduzida por Tiago Mendes Dantas, abordou a atuação do estatístico na interseção entre inteligência artificial e blockchain. O especialista destacou como a profissão tem se transformado ao longo das últimas décadas, acompanhando o avanço da capacidade computacional e o crescimento do volume de dados. Para ele, a Estatística nunca foi tão necessária quanto agora, especialmente diante de desafios como auditar modelos complexos, quantificar incertezas e identificar vieses em sistemas cada vez mais automatizados. Em sua análise, o uso crescente de modelos opacos — muitas vezes desenvolvidos fora do controle direto dos profissionais — impõe novos riscos, exigindo do estatístico uma atuação crítica e vigilante.

Na sequência, o professor Guilherme Veloso, da UFF, trouxe à discussão um ponto essencial para a prática contemporânea: a comunicação dos resultados estatísticos. Em sua fala, ele destacou que o domínio técnico, embora necessário, não é suficiente para garantir impacto no mundo real. “Muitas vezes o problema não está no modelo, mas na forma como o resultado é transmitido”, afirmou. O docente ressaltou a importância de traduzir análises complexas para diferentes públicos, desde gestores e profissionais de outras áreas até o público em geral, e apresentou ferramentas que auxiliam na produção de relatórios, apresentações e dashboards de forma integrada.

Encerrando as apresentações, a professora Mariane Branco Alves, da UFRJ, enfatizou o papel do estatístico no centro da revolução dos dados. Para ela, o aumento da disponibilidade e da complexidade das informações amplia não apenas as oportunidades de atuação, mas também a responsabilidade dos profissionais. “Os dados não falam sozinhos: é preciso formular perguntas, dar contexto e modelar adequadamente para que se transformem em informação útil para a tomada de decisão”. A pesquisadora alertou ainda para os riscos associados ao uso indiscriminado de ferramentas automatizadas e destacou a necessidade de fundamentação teórica sólida para garantir análises confiáveis e éticas. O evento foi encerrado com um debate aberto com o público.