JOGO ABERTO COM JOTTA JUNIOR
A política tem algo em comum com o teatro.
Existe o período dos ensaios.
E existe o momento em que a cortina sobe.
Rondônia está entrando exatamente nessa fase.
Depois de meses de pré-campanha, encontros, visitas, fotos, vídeos, cafezinhos, apertos de mão, abraços calculados e discursos cuidadosamente elaborados, chega a temporada das convenções partidárias.
É quando os partidos deixam de brincar de "talvez candidato" e assumem oficialmente suas apostas.
Até aqui, muitos políticos desfrutaram do confortável mundo das possibilidades.
Possibilidade de ser candidato.
Possibilidade de fazer alianças.
Possibilidade de crescer nas pesquisas.
Possibilidade de conquistar apoios.
Possibilidade de vencer.
A partir das convenções, porém, a política abandona o campo da imaginação e entra no terreno da realidade.
E a realidade costuma ser menos gentil do que as pesquisas de grupo de WhatsApp.
Agora é a hora em que partidos precisarão explicar suas escolhas.
É a hora em que candidatos precisarão apresentar mais do que slogans.
É a hora em que os eleitores deveriam começar a fazer perguntas mais inteligentes.
Mas aí surge um velho problema brasileiro.
Enquanto a democracia oferece uma oportunidade extraordinária para discutir propostas, boa parte da classe política continua acreditando que a melhor estratégia é transformar a eleição numa guerra de torcidas.
É impressionante.
O estado enfrenta desafios históricos na saúde.
Tem gargalos logísticos gigantescos.
Necessita de investimentos em infraestrutura.
Precisa ampliar sua competitividade econômica.
Mas, de alguma forma, muitos candidatos continuam convencidos de que a prioridade é convencer o eleitor de que o adversário é o fim da civilização.
O debate político brasileiro parece um campeonato de quem consegue ficar mais indignado.
E indignação, como sabemos, é um recurso renovável.
Basta abrir uma rede social.
Enquanto isso, propostas concretas continuam sendo tratadas como figurantes em uma campanha que deveria tê-las como protagonistas.
É por isso que as convenções representam um momento tão importante.
Elas retiram as máscaras da pré-campanha.
Mostram quem conseguiu construir alianças.
Revelam quem ficou isolado.
Expõem quem possui estrutura.
E, principalmente, deixam claro quem tem projeto e quem possui apenas discurso.
Nas próximas semanas veremos partidos se abraçando depois de anos trocando acusações.
Veremos adversários históricos descobrindo afinidades repentinas.
Veremos políticos explicando que aquilo que disseram ontem não significa exatamente o que disseram ontem.
A política brasileira também é uma fábrica de milagres.
Transforma desafetos em aliados com uma velocidade que faria qualquer terapeuta matrimonial pedir demissão.
Mas essa é justamente a beleza e a tragédia da democracia.
Ela revela os interesses.
Ela revela as estratégias.
E, sobretudo, revela o caráter político de cada projeto.
A partir de agosto, os blocos estarão oficialmente em campo.
Começará a disputa pelos votos, pelas narrativas e pelos sonhos dos rondonienses.
Resta saber se os candidatos vão tratar o eleitor como cidadão ou como torcida organizada.
Porque existe uma diferença enorme entre ganhar uma eleição e merecer vencê-la.
E talvez essa seja a pergunta que realmente importa quando as urnas começarem a se aproximar.
Quem está oferecendo um futuro para Rondônia?
E quem está apenas vendendo um espetáculo?
Jotta Junior



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