JOGO ABERTO COM JOTTA JUNIOR
As cortinas se abriram.
A campanha eleitoral começou oficialmente no dia 16 de agosto e Rondônia já entrou no palco da disputa pelo Governo do Estado. Vieram os primeiros debates, os primeiros confrontos, as primeiras provocações e, naturalmente, aquela velha tradição eleitoral brasileira: muito candidato preocupado em explicar por que o adversário não serve e pouca gente explicando, com clareza, por que deveria servir.
E aqui começa a minha crítica.
Até agora, o eleitor rondoniense está recebendo mais política de confronto do que política de conteúdo.
No primeiro debate entre os seis candidatos ao Governo, promovido pela Rondovisão, saúde, infraestrutura e outros temas importantes apareceram, mas as acusações também ocuparam espaço relevante.
Nada contra o confronto.
Aliás, uma eleição sem confronto seria apenas uma reunião de condomínio.
O problema é quando o confronto substitui o projeto.
Porque Rondônia não está precisando de um governador especialista em atacar adversários.
Está precisando de um governador capaz de enfrentar problemas.
E problemas não se resolvem com frases de efeito.
Há poucos dias, o Tribunal de Contas do Estado colocou diante da sociedade um assunto que deveria estar no centro desta eleição: a realidade fiscal e financeira de Rondônia.
Os números não são propriamente um convite para uma festa.
São um convite para uma conversa séria.
Os repasses constitucionais aos Poderes e órgãos autônomos representam parcela expressiva das receitas do Estado. Para 2026, por exemplo, a legislação estabelece 11,29% para o Poder Judiciário, 4,77% para a Assembleia Legislativa, 4,98% para o Ministério Público, 2,54% para o Tribunal de Contas e 1,53% para a Defensoria Pública.
E antes que alguém queira transformar esta coluna em uma guerra contra instituições, é preciso deixar uma coisa absolutamente clara: autonomia e independência dos Poderes são pilares da democracia.
A discussão é outra.
É saber se o modelo atual de distribuição e crescimento das despesas públicas é sustentável diante das necessidades de um Estado que precisa investir cada vez mais em saúde, educação, segurança, infraestrutura e desenvolvimento.
Essa é uma pergunta legítima.
E, na minha opinião, deveria estar no centro da eleição.
O próprio TCE já apontou situações de insuficiência financeira em determinadas fontes e alertou para os riscos que um desequilíbrio fiscal pode provocar sobre serviços essenciais.
Então eu pergunto aos candidatos:
Qual é o diagnóstico?
Qual é o tamanho real do problema?
Onde será necessário cortar?
Onde será necessário investir?
Como aumentar a arrecadação sem sufocar quem produz?
Como reduzir desperdícios?
Como modernizar a máquina pública?
Como financiar a saúde?
Como recuperar as estradas?
Como ampliar a infraestrutura?
Como transformar crescimento econômico em desenvolvimento social?
E, principalmente, qual é o projeto de Estado para os próximos vinte anos?
Porque Rondônia não é um Estado condenado à mediocridade.
Muito pelo contrário.
Somos jovens, temos território, produção agropecuária, mineração, energia, biodiversidade, localização estratégica, capacidade de geração de empregos e uma economia que demonstra enorme potencial.
Rondônia tem condições de ser muito maior do que é.
O problema é que potencial não é destino.
Potencial sem planejamento vira oportunidade perdida.
E talvez seja justamente isso que esteja faltando nesta eleição: alguém apresentar ao rondoniense uma visão de futuro que ultrapasse os quatro anos do mandato.
Precisamos de uma política que rompa com a lógica de administrar o presente e comece a construir o futuro.
Um Estado moderno não pode depender eternamente de improvisos.
Precisa de planejamento.
Precisa de metas.
Precisa de indicadores.
Precisa de prioridades.
Precisa saber onde quer chegar.
E o eleitor precisa exigir isso dos candidatos.
Não basta perguntar quem é de direita, quem é de esquerda, quem é situação ou quem é oposição.
A pergunta mais importante deveria ser outra:
Qual é o projeto?
Porque ideologia pode explicar uma visão de mundo.
Mas não substitui gestão.
Ataque pode render manchete.
Mas não constrói hospital.
Promessa pode render aplauso.
Mas não paga a conta.
E discurso bonito, por mais bonito que seja, não equilibra orçamento.
Talvez esteja na hora de Rondônia fazer uma experiência diferente nesta eleição.
Em vez de escolher primeiro o candidato e depois procurar justificativas para defendê-lo, que tal ouvir primeiro as propostas e somente depois decidir?
É uma inversão simples.
Mas pode ser revolucionária.
As urnas vão decidir quem governará Rondônia pelos próximos quatro anos.
Mas as decisões tomadas pelo próximo governador poderão influenciar o Estado por muito mais tempo.
Por isso, esta eleição não deveria ser apenas uma disputa de nomes.
Deveria ser uma disputa de projetos.
E, até aqui, confesso, ainda estou esperando que eles apareçam com a força que Rondônia merece.
Continuaremos observando.
Continuaremos perguntando.
Continuaremos provocando.
Porque o papel de uma coluna de opinião não é distribuir aplausos.
É fazer perguntas que o poder talvez preferisse não responder.
E a principal pergunta desta semana fica aberta:
Rondônia vai escolher apenas o próximo governador ou finalmente escolherá um projeto de Estado?
Jotta Junior



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